Blog Clara Nunes: Teatro Clara Nunes Rio - 40 anos

08 junho 2017

Teatro Clara Nunes Rio - 40 anos

Cantora Clara Nunes inaugurou o teatro que leva seu nome, em 1977 

Espaço, que fica dentro do Shopping da Gávea, foi atingido por incêndio nesta terça-feira

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Nota do Blog: Em 2008 o ator e vereador no Rio de Janeiro Stepan Nercessian que era presidente do Sindicato dos Artistas  (SATED) através do fã clube Clara Nunes dirigido pela Eliane Lorenzo ,foi até os novos proprietários do teatro e entrou com um pedido formal para não mudar o nome do Clara Nunes. Foi uma promessa cumprida pelos novos donos.

RIO - Em maio de 1977, a cantora Clara Nunes abriu as cortinas de um novo teatro carioca, o Clara Nunes. Fora batizado assim não por homenagem de algum empresário do show business, mas porque era Clara a proprietária do espaço. Naquela noite, Clara se tornava a primeira cantora brasileira a construir e a inaugurar o seu próprio teatro. O espaço era a concretização de um sonho, e foi aberto com um espetáculo de Clara, o show “Canto das três raças”, que estreou sob a direção de Arlindo Rodrigues e contava com textos e produção do poeta e compositor Paulo Cesar Pinheiro, marido da cantora à época.

Entre o fim dos anos 1970 e o começo dos 1980, a casa recebeu, principalmente, grandes shows de música, mas também acolheu espetáculos teatrais importantes, como “Os saltimbancos” (1978), em versão de Chico Buarque dirigida por Anônio Pedro; “Dom Quixote de la pança” (1980), de Camilla Amado e direção de Aderbal-Freire-Filho, ou “Quando as máquinas param” (1981), de Plínio Marcos.


Após a morte de Clara, em 1983, os rumos artísticos do espaço foram para outra direção, e durante os anos 1980 e 1990 o Clara Nunes foi se tornando pouco a pouco um espaço mais multifacetado, capaz de receber grandes comédias, como “As sereias da Zona Sul” (1988), com Miguel Falabella e Guilherme Karam; e grandes peças musicadas como “Suburbano coração” (1989), de Naum Alves de Souza e Chico Buarque, que contava com Fernanda Montenegro em cena.
Em 2008, Paulo Cesar Pinheiro e o advogado Danilo Rocha venderam o teatro para um grupo de sócios, integrado por José Ernani Campelo, síndico do shopping da Gávea e também proprietário do Teatro dos Quatro. Se até ali o teatro comportava 450 lugares, após uma reforma a sala passou a contar com 700 assentos. Com a nova administração, o Clara Nunes passou a apresentar espetáculos com maior potencial de bilheteria, entre comédias, dramas e musicais.

Nos últimos anos, o teatro recebeu montagens de sucesso da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, como “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos” (2014) e “Nine — Um musical felliniano” (2015). Em 2016, o Clara Nunes recebeu Cristiane Torloni em “Master class”, além do musical “Gilberto Gil, Aquele Abraço - O Musical”, com texto e direção de Gustavo Gasparani.

Em março de 2017, o ator Alexandre Nero estreou “O grande sucesso” neste mesmo palco, mas por problemas relacionados à acústica da sala — o som de uma peça em cartaz no Teatro das Artes vazava para o palco do Clara Nunes — a temporada foi cancelada e a produção transferiu o espetáculo para o Teatro do Leblon.

Em seu estilo, a cantora Clara Nunes glorificou as raízes afro-brasileiras.:
O costureiro Geraldo Sobreira vestindo Clara Nunes para o samba-enredo "Macunaíma, o Herói de Nossa Gente", da Escola de Samba Portela, no Carnaval de 1975. A esta fantasia, inspirada nas estrelas, Sobreira chamou "Macunaíma na Constelação" (Foto: Revista Amiga - 29.01.1975)


Nesta terça-feira, por volta das 14h, um incêndio que destruiu o Teatro Clara Nunes. As causas das chamas ainda estão sendo investigadas. Em poucos minutos, a fumaça negra invadiu o terceiro andar do shopping e logo atingiu os pisos inferiores. Nenhum alarme soou para avisar sobre o incêndio, segundo os frequentadores. Em pânico, quem estava no estabelecimento correu às cegas para as saídas mais próximas, gritando que havia fogo. Sete pessoas ficaram intoxicadas e foram levadas para o Hospital Miguel Couto e para a Coordenação de Emergência Regional (CER Leblon), mas todas sem gravidade.

Um comentário:

Cleiton Daré disse...

Mais um fato muito triste, menos de um mês após a partida de Dindinha...
Não apenas pelo fato do teatro em si levar o nome de Clara e por ter sido erguido por iniciativa dela, mas por ser um espaço de divulgação de cultura para o povo.
Torçamos para que possam recuperar o espaço e devolvê-lo à sociedade em breve.
O nome e a memória de Clara merecem!