Blog Clara Nunes: Maio 2011

26 maio 2011

Vem aí o sexto ano de festival!


6º Festival Cultural Clara Nunes


Caetanópolis – MG


Projeto: Adriana Andrade
Secretaria da Cultura
Adminstração:
Romário Ferreira



A idéia



Trabalhar com cultura, sempre foi um desafio no Brasil. Mas, quando encontramos pessoas que falam a mesma língua, e que acreditam no sonho de que a cultura é a saída para todos, aí se obtém grandes resultados.
A idéia de um festival que reunisse várias vertentes de cultura era um sonho. E ao trabalhar na Secretaria Municipal de Cultura de Caetanópolis, vimos como é rica a nossa terra de tantos talentos, vindo então, a vontade de criar um evento que reunisse todos esses valores. Um evento que fosse gratuito para que todas as camadas pudessem ter acesso.

Nasceu assim, o Festival Cultural Clara Nunes. (Adriana Andrade)









20 maio 2011

Clara - a guerreira

Escrito por Angela Pinho

A guerreira

Nos 40 anos que a vida lhe deu, lutou contra a orfandade precoce; pela emancipação da mulher; resgatou autores esquecidos; revelou novos. Corajosa, afirmou nossas raízes africanas.

A música que Paulo César Pinheiro fez para ela diz: mineira guerreira que é filha de Ogum com Iansã. Ogum, orixá guerreiro; Iansã, senhora do vento e da tempestade. Clara Nunes foi lutadora como as divindades que cultuava. "Sinto Deus no momento de cantar", dizia aquela que também chamavam de "um ser de luz".

Nasceu em 2 de agosto de 1942 em Paraopeba, hoje Caetanópolis, vizinha da terra de outro mineiro ilustre: Guimarães Rosa. O pai, Mané Serrador, era violeiro das Folias de Reis. Quando morreu, a mãe logo o seguiu: "Um caso típico de morrer de amor. Eu também seria capaz", disse mais tarde Clara, órfã aos dois anos. Aos 14, começa a trabalhar como tecelã. À noite, faz o Curso Normal, iria ser professora.

Na música, também se inicia bem cedo. Aos dez anos, ganha o primeiro prêmio: um vestido azul. Aos domingos, canta na missa ladainhas em latim. Em 1960, vence concurso na Rádio Inconfidência. Mas ainda não passa de vocalista de conjuntos.


Três anos depois, ganha programa próprio na TV Itacolomi: Clara Nunes Apresenta. Mostrava artistas de renome nacional. Logo gravaria o primeiro lp. A Voz Adorável de Clara Nunes trazia boleros rasgados. "Eu cantava Besame Mucho com um castelhano muito fajuto."



Bem-vinda ao samba

Clara já combinava de forma harmoniosa beleza com personalidade forte. "Não tenho medo de nada. Eu sou mulher. Eu sou tudo muito. Sou feminista pela emancipação da mulher. Mas - pelo amor de Deus! - a feminilidade vamos manter."

Larga a fama em Minas, vai para o Rio e muda também de rota musical. Você Passa e Eu Acho Graça, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial, marca sua entrada no samba. Sem volta. Clara resgata compositores esquecidos e revela novos. Entra na década de 1970 com grandes sucessos. Ê Baiana (Baiana boa /Gosta do samba / Gosta da roda / E diz que é bamba); Clarice, presente de Caetano (Que mistério tem Clarice / Pra guardar-se assim tão firme, no coração?); Conto de Areia (O mar serenou quando ela pisou na areia / Quem samba na beira do mar é sereia).


É arrebatada por duas grandes paixões: candomblé e Portela. Em 1974, vai a Cannes e ganha uma flor do cantor romântico Charles Aznavour. No ano seguinte, lança Claridade e desmente a máxima de que "mulher não vende disco": com mais de 400 mil cópias, o lp é campeão de vendas.


Casa com o compositor e poeta Paulo César Pinheiro, criador de muitas das canções que imortaliza. Canto das Três Raças, por exemplo: E de guerra em paz / De paz em guerra / Todo o povo dessa terra / Quando pode cantar / Canta de dor.
Sina verde-amarela

No começo da década de 1980, Clara recebe homenagem de Chico Buarque: Morena de Angola. Dois anos depois, grava Nação, título da composição de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio: A minha sina é verde-amarela feito a bananeira. "Esse disco talvez seja mais político e, por isso mesmo, por eu dizer todas as minhas verdades, esteja mais límpida e coerente", conta ela.


Não sabe que seria o último lançamento. Não temia o futuro: "Não tenho medo de morrer e muito menos de envelhecer. Quero ficar uma velha da pesada. Rosto corado de ruge, participando de tudo, com batom e muitas pulseiras." Em 1983, procura uma clínica para uma cirurgia de varizes. Reage mal à anestesia. Depois de 28 dias em coma, a guerreira perde a última batalha.


Mais de 50 mil pessoas vão se despedir no velório, na sede da Portela - hoje Rua Clara Nunes, morada do samba.

Lançamento da coletânea 2011-

Conto de Areia

Artista: Clara Nunes

Gravadora: Emi Music

Categoria: MPB / Cantores e (As)

Grandes Sucessos é uma primeira formada de CDs contendo a seleção mais atualizada de hits de 24 grandes artistas de todos os estilos e fases da história. Os sucessos remasterizados com a mais alta tecnologia refletem o cuidado artesanal do material gráfico que inclui capas e títulos diferenciados com todas as letras no encarte.

Clara Nunes


Como muitas das grandes vozes ao redor do mundo, Clara começou a cantar através de ladainhas em no coro da igreja em Caetanópolis, sua cidade natal. Aos 16 anos, mudou-se para Belo Horizonte com dois de seus irmãos. Cresceu ouvindo Carmem Costa, Ângela Maria, Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira. Participou de vários programas de rádio antes de ser contratada em 1960 pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Em 63, apresentou o programa "Clara Nunes Apresenta", no ar por um ano e meio. No ano de 1965 foi para o Rio, e por essa época, se apresentou em vários programas de televisão, entre eles no de Chacrinha. No ano seguinte, foi contratada por uma grande gravadora, pela qual lançou seu primeiro LP, "A Voz Adorável de Clara Nunes". Desde então começou um trabalho de pesquisa dos ritmos populares brasileiros, que a levou a tornar-se a principal porta-voz de nossa música, chegando a representar o Brasil em diversos encontros de música folclórica na África e Europa, já convertida ao Candomblé. Morreu em 1983, causando uma comoção coletiva poucas vezes repetida no Brasil


Faixas do CD:

1. Conto de Areia

2. A Deusa dos Orixás

3. Coisa da Antiga

4. o Mar Serenou

5. Canto das Tres Raças

6. Feira de Mangaio

7. Peixe com Coco

8. Menino Deus

9. Portela na Avenida

10. Lama

11. Nação

12. Tristeza Pé No Chão

13. Meu Sapato Já Furou

14. Na Linha do Mar

15. Candongueiro

16. Guerreira



 

04 maio 2011

Homenagem




                                 Rogéryo Du Maranhão Canta Clara Claridade


As pessoas especiais não morrem, se transformam em luz". Clara virou a luz da lua, do sol que nos ilumina. Seus gestos, seu riso podemos ver e sentir a cada noite linda de luar.

Lembrar de Clara é misturar pranto e riso. Pranto de dor e saudade. Riso das lembranças de sua alegria e felicidade que sempre foi intensa.

Clara deixou para nós a marca de uma personalidade única, inesquecível e uma alegria como lição á ser lembrada por todos nós.