Blog Clara Nunes

13 julho 2018

Revista Encontro - Portela 2019



Clara Nunes é o enredo da Portela para o Carnaval de 2019

Escola de samba carioca homenageará a cantora mineira, que é um dos símbolos da agremiação


 por Marcelo Fraga  13/07/2018 09:26


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Indalécio Wanderley/O Cruzeiro/EM/D.A Press

A cantora mineira Clara Nunes, uma das principais artistas da MPB, será homenageada pela escola de samba carioca Portela no Carnaval do ano que vem (foto: Indalécio Wanderley/O Cruzeiro/EM/D.A Press)
Uma das principais cantoras da história da Música Popular Brasileira (MPB), a mineira Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, mais conhecida como Clara Nunes, será homenageada em 2019 por uma das escolas de samba mais tradicionais do país, a Portela, que venceu 22 vezes o Carnaval do Rio de Janeiro. Com o enredo Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar uma Sabiá, a carnavalesca e professora de Belas Artes Rosa Magalhães tem a missão de relembrar a relação carinhosa entre Clara, o samba e a "azul e branco" de Madureira, bairro da zona norte da capital fluminense.

A cantora mineira morreu precocemente, aos 40 anos, deixando um inestimável legado para a MPB. Foi a primeira artista a alcançar a marca de 100 mil discos vendidos no Brasil. Essa consagrada carreira passa, também, pela paixão de Clara Nunes pela Portela. A sambista desfilou na escola por diversas vezes; foi madrinha da velha-guarda; e regravou dois sambas-enredos da agremiação carioca, que se tornaram grandes sucessos em sua voz. São eles: Ilu Ayê – Terra da Vida, de 1972; e Macunaíma, Herói de Nossa Gente, de 1975. Além disso, a versão mais famosa do samba-exaltação Portela na Avenida ficou marcada com a interpretação da artista mineira, sendo uma das músicas mais ouvidas do penúltimo disco lançado por Clara, em 1981.

Segundo Luis Carlos Magalhães, presidente da escola de samba de Madureira, a importância de Clara Nunes para a Portela é inestimável. "Ela alcançou e formou apaixonados pela Portela em lugares onde ninguém imaginava. Clara foi capaz de despertar a paixão das pessoas pela escola de uma forma incrível. Clara, hoje, é a representação da emoção para os portelenses", destaca o dirigente.

Além disso, Luis Carlos revela que a ideia de homenagear Clara Nunes na Marquês de Sapucaí em 2019 vem de uma exigência antiga dos próprios portelenses. Aproveitando a comemoração dos 95 anos da Portela, completados em abril deste ano, e a lembrança dos 35 anos da morte da cantora mineira, no mesmo mês, o pedido da comunidade foi atendido pela diretoria da agremiação carioca.

O presidente da Portela fala, ainda, sobre a expectativa pela conquista do 23º título do Carnaval do Grupo Especial do Rio de Janeiro: "Tenho certeza de que faremos um belo desfile, pois o enredo está tendo uma repercussão que nunca vi em toda a história do Carnaval. Desde que anunciamos que iríamos falar de Clara, fomos abraçados, não só pelos portelenses, mas também por toda a comunidade do samba".

Luiz Antônio/CB/D.A Press

Clara Nunes costumava se apresentar com roupas brancas e colares dos orixás, em referência à sua conversão à umbanda e à paixão pela religião afro-brasileira (foto: Luiz Antônio/CB/D.A Press )

Desfile

Em relação aos fatos da vida de Clara Nunes que a escola pretende levar para a Sapucaí, no desfile de 2019, Luis Carlos Magalhães diz que a ideia não é fazer uma remontagem bibliográfica da carreira da cantora mineira, mas sim, mostrar "o quanto ela representa a cultura brasileira". O dirigente portelense lembra que essa "brasilidade" dela está diretamente relacionada com o bairro de Madureira, local que despertou na sambista a ligação com a cultura popular e com a religiosidade: Clara passou a ser devota das religiões afro-brasileiras e se converteu à umbanda. Ela, que jamais escondeu a fé nos orixás, passou a ser frequentadora assídua de um terreiro de umbanda no Morro da Serrinha, no Rio, a partir da década de 1970.

A infância da cantora, no interior de Minas Gerais, e sua paixão pela Portela também estarão destacadas no desfile, garante Luis Carlos Magalhães.

História

Clara Nunes nasceu no município de Caetanópolis (MG), cidade localizada a 96 km de Belo Horizonte, em 12 de agosto de 1942 – na época, o município era distrito de Paraopeba. Durante a juventude, morou na capital mineira, onde trabalhou na fábrica de tecidos da Cedro e começou a cantar na rádio Inconfidência. Em pouco tempo, sua voz marcante e extremamente afinada chamou a atenção.

Ela ganhou um concurso de canto e, como prêmio, foi contratada pela gravadora EMI-Odeon. Nos anos 1970, partiu para o Rio de Janeiro, berço de grandes artistas brasileiros da época. Foi na capital fluminense que se aproximou do samba e construiu a carreira gloriosa, tornando-se um dos ícones da MPB.

Para tristeza dos fãs, depois de dar entrada na clínica São Vicente, no Rio, no dia 2 de abril de 1983, para fazer uma simples cirurgia de varizes, Clara Nunes acabou sofrendo de choque anafilático devido à anestesia. Pouco depois, sua morte foi anunciada e causou comoção nacional, pondo fim à carreia, que estava em pleno auge.

https://www.revistaencontro.com.br/canal/encontro-indica/2018/07/clara-nunes-e-o-enredo-da-portela-para-o-carnaval-de-2019.html

11 julho 2018

A sinopse da PORTELA 2019- Clara Nunes

A Sinopse Da Portela Para O Carnaval 2019


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Vagner Fernandes ( jornalista,escritor)
Apesar de todo o envolvimento emocional que um enredo sobre Clara Nunes impõe aos apreciadores da artista e, em especial a mim por questões óbvias, optei pelo afastamento de quaisquer possibilidades de disputa de samba-de-enredo na Portela para a escolha do hino de 2019 da escola. O motivo é simples: muitos a mim têm recorrido em busca de informações consistentes que possam respaldá-los para a construção de uma bela obra. Logo, não lançaria mão jamais da omissão intencional de minhas considerações e visão sobre o personagem por estar participando de um processo de escolha de samba. Decidi pôr de lado o furor criativo, o coração em chamas ávido por lirismo e poesia para me colocar a serviço do coletivo.
Sim, houve um ensaio inicial com uma turma aguerrida de compositores com vistas à construção de uma obra convincente. Mas a heterogeneidade de percepções acerca do personagem e de sua importância histórica no que tange à quebra de paradigmas no mercado fonográfico e à sua proposta libertária por meio da arte, me fez recuar. Creio que a minha colaboração deva se traduzir justamente na tentativa de elucidar para todos, indistintamente, quem é essa mulher que perpassa gerações com uma obra atemporal e indelével. Há compositores, atualmente, de vinte e poucos anos, com referência unicamente imagética da cantora. Clara morreu há 35 (em 1983). Portanto, o que esses jovens compreendem do personagem certamente está associado à superficialidade da representação estético-visual e sonora que carregam sobre a intérprete. Intuo que é missão dar-lhes ferramentas para mergulhar em sua vida e obra com a devida precisão. É importante compartilhar conhecimento. Seria mesquinhez usar a informação, neste momento, como artifício contra o adversário.
A vitória é a meta, a coroação maior dos festejos de 95 anos de fundação da escola. A agremiação precisa de uma obra poética, que reverencie Clara à altura de sua significância; que proponha um resgate de tradições sem concessões ante a propostas que possam levar à vulgarização de um projeto tão singular. Não cabem mais os desqualificados “sambas de demanda”, costurados por versos repletos de clichês com bordões do naipe de “é melhor me respeitar”, “o couro vai comer”, “Não sou de brincadeira”. Tornou-se lugar-comum também a recorrência a construções descontextualizadas que buscam gratuitamente, tão e somente, provar certa supremacia, como “Minha águia altaneira”, “sou de Oswaldo Cruz e Madureira”, “O meu coração é azul e branco”, “Chegou a majestade do samba”. Que a ode a Clara e à Portela se faça com maestria, pautada por metáforas, sem obviedades, com preponderância lírica. Que a representação das subjetividades seja valorizada. Que se dane o cartesianismo de uma falsa métrica detratora das emoções. Ninguém aguenta mais correr na avenida com uma bateria em 148/149bpm. Quem foi que disse que para desfilar na avenida em 75 minutos atualmente precisa “liquidificar” componente? 
A Portela sempre foi pioneira. Precisa mostrar-se também na vanguarda resgatando o Carnaval que nos roubaram, provando que é celeiro de resistência e que pode fazer uma passagem arrebatadora sem render-se ao sistema. Para isso, importante implantar ações de caráter endógeno, que se iniciem no coração da escola, na sensibilização de cada segmento e componente. Torço, verdadeiramente, para que a direção da Portela repudie, de forma veemente, sambas em disputa que sejam meras colagens de trechos de canções gravadas por Clara. Outras escolas consagraram campeãs obras desta natureza para retratar personagens biografados na avenida. Torço para que a direção da Portela passe o facão em projetos com “Clara clareia na beira do mar é sereia”, “Quando eu vim de Minas trouxe ouro em pó”, “E agora você passa, eu acho graça”, “Iansã, cadê Ogum? Foi pro mar!”, “É água no mar, é maré cheia”, “Portela, é a deusa do samba, o passado revela”. Eu não tenho dúvidas de que brotarão obras concorrentes partindo dessa premissa. Para discorrer sobre Clara, há que se banir o óbvio. Para retratar Clara é preciso compreender o contexto sociopolítico de sua arte libertária. Para reverenciar Clara é imprescindível ter o entendimento da natureza de sua poesia e também de sua simbologia nas relações identitárias que unem o Brasil ao continente africano. 
Sempre fora um personagem afrofuturista muito antes de o conceito pautar discussões no país. Não basta ter samba para sacudir folião. É preciso obra que reacenda o interesse dos compositores pela primazia poética, é trazer de volta para a boca-de-cena o que a Portela (e outras escolas) está deixando na coxia. O enredo sobre a Clara pode traduzir essa retomada, esse reencontro com a nossa verdade, com a nossa história. Madureira a moldou em sua brasilidade, mas foi a África quem, de fato, a pariu. Como também pariu a todos nós. A hora é essa.



SINOPSE DO ENREDO

‘Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá’
A Portela vai apresentar no carnaval de 2019 uma homenagem à cantora Clara Nunes, ressaltando a diversidade e a atualidade de sua trajetória biográfica e seu vasto e plural repertório musical, constituído de sambas-canção, sambas-enredo, partidos-altos, marchas-rancho, forrós, xotes, afoxés, repentes e canções de influência dos pontos de umbanda e do candomblé. Para isso, pretende sair do lugar-comum das narrativas sobre sua vida ou de uma colagem de títulos de sua discografia. Nossa escola exalta a importância cultural de Madureira, das festas, terreiros e do contagiante carnaval popular, enfatizando a contribuição do bairro para a formação da identidade que caracterizou Clara Nunes: a brasilidade.
O meu lugar,
tem seus mitos e seres de luz.
É bem perto de Oswaldo Cruz*
Em 1924, no primeiro carnaval da Portela, fundada em abril do ano anterior, o coreto de Madureira, criado pelo cenógrafo José Costa, reproduzia a imponente Torre Eiffel. Visitando o bairro na companhia de alguns amigos, Tarsila do Amaral não apenas eternizou aquela imagem numa tela, como também mostrou para seus pares modernistas que as festas populares do nosso subúrbio incorporavam os mais diversos elementos culturais. Sem dúvida, Madureira sempre teve um ar moderno, como a própria trajetória de Clara Nunes, que parece ter emergido de uma obra modernista, como se fosse uma tela da Tarsila: a Mineira representa a mais plural expressão da brasilidade. Morena. Mestiça.
Porque tem um sanfoneiro no canto da rua,
fazendo floreio pra gente dançar,
tem Zefa da Porcina fazendo renda
e o ronco do fole sem parar**
Clara nasceu no interior mineiro, num lugar que hoje se chama Caetanópolis. Ainda menina, trabalhou numa fábrica de tecidos para conseguir sobreviver, mas seu destino já estava traçado. Tinha como missão cantar o Brasil!  Ao longo da infância, conheceu de perto as tradições culturais e as festas folclóricas interioranas, certamente recebendo influência de seu pai, Mané Serrador, mestre de canto de Folia de Reis e violeiro dos sertões das Gerais.
Sua brasilidade, como herança de sua origem, sempre valorizou a diversidade regional de nosso país. A voz de Clara fez ecoar os ritmos do povo, na saborosa confusão dos mercados populares, seja do nordeste ou de qualquer outro recanto desta nação.
Alçando voos mais ousados, Clara mudou-se para Belo Horizonte, onde participou de concursos, realizou os primeiros trabalhos artísticos e conquistou espaço nos meios de comunicação.  Chegando ao Rio de Janeiro, seguiu fazendo sucesso e conheceu o misticismo que aflorava em Madureira, incorporando-o à sua identidade.
Sou a Mineira Guerreira,
filha de Ogum com Iansã***
Até então, a artista cantava principalmente boleros e sambas-canções. Após ter contato com o ancestral universo afro-brasileiro de Madureira, a mineira se transformou igual ao céu quando muda de cor ao entardecer. E nunca mais foi a mesma: visitou os terreiros, quintais e morros de Oswaldo Cruz e Madureira, vestiu-se de branco, incorporou colares, turbantes e contas, cantou sambas e pontos de macumba. Seu repertório se expandiu. A imagem de Clara evocando os Orixás, irmanada ao povo de Santo, eternizou-se na memória de seus fãs. Ela se tornou a Guerreira que não temia quebrantos, dançando feliz pelas matas e bambuzais, sambando descalça nas areias da praia, unindo a essência negra de Angola ao subúrbio carioca. E assim, sua voz rapidamente se espalhou. Seu canto correu chão, cruzou o mar, foi levado pelo ar e alcançou as estrelas. Uma força da natureza que brilhou como um raio nos palcos e terreiros, iluminando o coração dos portelenses. Nada disso foi por acaso.
Portela, sobre a tua bandeira
esse divino manto.
Tua Águia altaneira
é o Espírito Santo
no templo do samba****
Desde que foi fundada, a Portela tem uma presença significativa de elementos típicos do mundo rural, trazidos pelo povo simples do interior, sobretudo do interior de Minas Gerais, mesclados à negritude que vibrava em Madureira. Talvez tenha sido por isso que a identificação de Clara com a Portela foi imediata. Ela sempre ocupou posição de destaque nos desfiles, é madrinha da Velha Guarda e até puxou sambas-enredos na avenida.  Ela e os portelenses, famosos e anônimos, sempre caminharam de mãos entrelaçadas, voando nas asas da Águia.
Um dia, inesperadamente ela partiu. Trinta e cinco anos se passaram desde então. A dor da saudade sempre reverberou no coração de todos, tornando-a uma estrela ainda mais cintilante.
Agora está na hora de a Guerreira reencontrar seu povo mestiço, para mais uma vez brilhar na avenida. Vestida com o manto azul e branco e a Águia a lhe guiar, voa minha Sabiá.
Até um dia!
Carnavalesca: Rosa Magalhães
Sinopse: Fábio Pavão e Rogério Rodrigues


09 junho 2018

Selo dos correios Clara Nunes


                 
            Cerimônia de lançamento do 13º Festival Cultural Clara Nunes 2018 na Casa de Cultura de Caetanópolis-MG em 08/06/2018 com selo comemorativo dos correios. 
Fotos: Marilene Araújo - Secretaria da Cultura 



















04 junho 2018

Vem aí o 13º Festival Cultural


                                                      Lançamento do 13º Festival 
                                          Em breve a programação de 11 a 19 de agosto 


                                           


30 maio 2018

Clara Estrela de volta: documentário no Canal Curta


🎤🌟🎶 Clara Estrela🎇
🎥 Este documentário sobre a cantora Clara Nunes sintetiza com elegância o caldeirão cultural brasileiro, mestiço, agregador e sincrético. O filme narra, apenas em primeira pessoa, através de entrevistas em diversos programas de TV e rádio, a trajetória da cantora que conquistou o Brasil e vários países do mundo. Além do minucioso trabalho de pesquisa audiovisual, o documentário traz ao público a oportunidade de ouvir as entrevistas de mídia impressa através da narração da atriz Dira Paes.
 Horários: 30/05 às 10h40; 02/06 às 09h30; 03/06 às 20h25.
#canalcurta #claranunes #claraestrela

25 maio 2018

Caetanópolis, terra natal de Clara na Sapucaí 2019 !

                                 aRTE:  Clara borges - pb

"Caetanópolis estará presente por ser a sua terra natal e por abrigar o seu precioso acervo no Memorial Clara Nunes.
As reuniões com o Presidente da Portela acontecem desde o final de janeiro desse ano e em breve a Carnavalesca Rosa Magalhães estará em Caetanópolis pesquisando a história da nossa estrela maior."
Prefeitura de Caetanópolis-MG



ENREDO DA PORTELA VAI EXALTAR BRASILIDADE DA OBRA DE CLARA NUNES


'Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá' é o título
 
 
A brasilidade e o legado da cantora portelense Clara Nunes (1942—1983) serão retratados no enredo que a Portela levará para a Avenida no Carnaval 2019. O anúncio oficial da homenagem foi feito pela diretoria, nesta quarta-feira, através de um vídeo publicado nas redes sociais da agremiação. O título do enredo é "Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá."

CLIQUE E CONFIRA O VÍDEO DE DIVULGAÇÃO DO ENREDO
 
O tema vai ser desenvolvido pela consagrada carnavalesca Rosa Magalhães, que revelará mais detalhes no lançamento da sinopse aos compositores. A data do encontro será marcada em breve. 
 
Ao falar sobre a escolha, o presidente Luis Carlos Magalhães destacou o antigo desejo da comunidade pelo enredo. "Todo ano os portelenses cobram isso da gente. 'Quando que vai ser a vez da Clara, quando?' Aí esse ano como tem a data redonda dos 95 anos de fundação da Portela, e nós já estávamos falando que iríamos fazer um enredo pra dentro da escola, contando algo da nossa história, ficou difícil não fazer. As pessoas estavam nos cobrando e perguntando diretamente o motivo de não ser a Clara esse ano, se havia algum impedimento familiar. Nós já tínhamos a intenção de fazer esta homenagem, sempre tivemos. E o movimento cresceu muito... Nós estávamos em conversa lá com o pessoal de Caetanópolis (cidade natal de Clara), mas a coisa explodiu tanto internamente que resolvemos lançar o enredo agora, do nosso jeito."


Jornais do Rio de Janeiro bombaram o Enredo da Portela.
E neles Caetanópolis assume seu lugar de honra de TERRA NATAL de Clara Nunes, de fato e de direito.
Em Caetanópolis das Minas Gerais, também "se ouvirá para sempre, o canto de uma sabiá".

Marilene Araujo   
Secretária Cultura Caetanópolis

Caetanópolis na Marquês de Sapucaí
Finalmente a Escola de Samba Portela decidiu o seu Enredo para o Carnaval de 2019.
CLARA NUNES, a Guerreira de Caetanópolis terá sua vida e obra contada na avenida mais carnavalesca do Brasil.
Caetanópolis estará presente por ser a sua terra natal e por abrigar o seu precioso acervo no Memorial Clara Nunes.
As reuniões com o Presidente da Portela acontecem desde o final de janeiro desse ano e em breve a Carnavalesca Rosa Magalhães estará em Caetanópolis pesquisando a história da nossa estrela maior.
É o Rio de Janeiro se curvando ao valor cultural de uma das maiores representantes da Música Popular Brasileira.
Parabéns ao Prefeito e a Secretária de Cultura! Clara Nunes e Caetanópolis merecem esse reconhecimento cultural.

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Vagner Fernandes
escritor,jornalista
Cabe destacar, reconhecer, fazer jus a agremiações e carnavalescos que, anteriormente, lançaram-se sobre a vida e a obra da Clara, personificando na avenida a sua a trajetória. Em 2005, a Mocidade Alegre, de São Paulo, reverenciou a mineira com o enredo "Clara, Claridade, um canto de luz no Ilê da Mocidade", de autoria do carnavalesco Zilkson Reis, por meio do qual abocanharia o terceiro lugar. Aqui, no Rio, a Tuiuti celebrou a artista em 2012. O querido e visionário Jack Vasconcelos levou para a avenida a sua leitura sobre o personagem com “Clara Nunes, a tal mineira”, uma lindíssima homenagem quando a escola ainda se encontrava no Grupo de Acesso. A celebração pela Portela tem uma conotação diferente por questões óbvias. Mas é preciso lembrar os belos desfiles dessas duas agremiações que resgataram dignamente a memória da artista.,
Clara Nunes será o enredo da Portela em 2019. Uma das cantoras mais importantes de toda a história da música brasileira ganha reverência da escola que a acolheu e da qual se converteria em um personagem icônico. Todos conhecem a paixão que nutro por Clara, a quem celebrei com uma biografia, atualmente esgotada. É uma figura emblemática, porque trouxe à luz debates acerca do machismo imperioso que cerceava o mercado fonográfico, no qual somente os homens se consagravam no ranking dos grandes vendedores de discos. Ela romperia tal barreira, alcançando a marca das 100 mil cópias comercializadas. A primeira mulher a quebrar o tabu. Não foi Elis, não foi Gal, não foi Bethânia. Foi Clara. Transformou-se em uma referência ao por na boca-de-cena compositores geniais que amargavam o anonimato imposto pela indústria, como Candeia, Toninho Nascimento, Romildo, Dona Ivone, entre tantos outros. Teve merecido reconhecimento ao fazer da sua arte um instrumento poderoso contra a intolerância étnico-racial e de credos, celebrando a África, o negro e todas as religiões de matrizes africanas em uma trajetória luminosa. Foi pioneira em todas essas discussões numa época de escorraçamento àqueles que defendiam causas desta natureza. Por tudo isso, Clara Nunes virou mito. Todos os outros elementos que possam corroborar para a deificação do personagem são secundários diante da nobreza com que buscava salvaguardar persistentemente a identidade cultural brasileira. À direção da Portela, na figura do presidenteLuis Carlos Magalhães, um abraço afetuoso, repleto de emoção, pela escolha de um enredo tão significativo, que levará para a avenida, certamente, por meio da vida e obra de Clara Nunes, questões que afligem a todos nós na sociedade contemporânea. É enredo para festa (afinal, Clara era a alegria em pessoa e a Portela está completando 95 anos), mas, sobretudo, para reflexão.