Blog Clara Nunes

18 maio 2015

"Brasileiro,profissao esperança" em BH

Foto: acervo pessoal de Tutti Maravilha 
Jornalista formado pela Universidade Católica de MG, o belorizontino Tutti Maravilha foi, nos anos 70, o responsável  por alguns dos melhores shows de Música Brasileira e teatro na cidade, conseguindo inserir BH no roteiro dos melhores shows de música da época.
Chico Buarque, Caetano Veloso, Gil, Elis Regina, Vinicius de Moraes, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gal Costa, Clara Nunes, MPB 4, Baden Powell, dentre outros, lotaram várias vezes os teatros da cidade sob a batuta de Tutti.


O espetáculo "Brasileiro, profissão esperança" foi um deles trazido nos anos 70, e ficou em cartaz no Teatro Francisco Nunes.

“Havia uma lenda de que mulher não vendia disco, muito menos ultrapassar a vendagem de cantores como Roberto Carlos. Mas Clara foi a pioneira”, explica o radialista Tutti Maravilha. Seu primeiro contato com a mineira que cantava samba foi a partir do musical Brasileiro: Profissão Esperança. Ele trabalhava na produção, junto da grande cantora Bibi Ferreira. No palco, Clara Nunes, vivendo uma de suas divas, Dolores Duran, dividia as cenas com o grande ator Paulo Gracindo. “Ela era muito simples, não tinha estrelismo nenhum”, lembra Tutti, elogiando um dos principais traços que a cantora nunca perdeu em sua carreira: a simplicidade. Para o radialista, ela faz muita falta para a música brasileira, por ter sido uma cantora única, com timbre e capacidade vocal imbatíveis até hoje.
Revista Encontro 

Memorial Clara Nunes - Visite

                                                      Dindinha, irmã de Clara


Gravação do Programa Conhecendo Museus, no Memorial Clara Nunes!


Amiga e secretária de Clara Nunes em texto emocionado


Acho que minha mãe foi a única pessoa capaz de entender o tamanho da dor sentida por mim quando da morte de Clara porque só ela estava ao meu lado naquele momento. Assim como ninguém melhor do que Bibi entende o tamanho do meu amor por Clara e o carinho enorme que Clara tinha por mim. Minha mãe não está mais aqui, deve estar de papo com Clara em alguma nuvem, mas Bibi me disse há alguns anos que nunca viu duas pessoas gostarem tanto uma da outra, como Clara e eu.
A morte de Clara em 2 de abril de 1983, quando eu tinha 22 anos e um filho, que seria afilhado dela e de Paulo César Pinheiro, de apenas 10 dias de nascido foi a maior pedrada que a vida me deu. Passei dois anos sem rumo. Perdi não apenas minha maior amiga, mas também a minha patroa e por consequência o meu emprego, aquele emprego que me deu a certeza de poder encarar ser mãe solteira aos 22 anos e ainda estudante de Jornalismo. Foi a maior puxada de tapete que a vida me deu. A maior dor que senti, igual só quando minha mãe morreu em 15 de abril de 2002. A diferença é que perdi Clara aos 22 anos, apenas dois anos após conhece-la, com toda uma história para construir. Quando minha mãe morreu eu tinha 42 anos e por mais que doesse – e dói até hoje! – era a lei da vida. Morrer aos 40 anos não é a lei da vida. É cruel.
Passei os primeiros anos em busca de Reencontrar Clara. Fosse em Centros Kardecistas, fosse em Terreiros de Umbanda ou de Candomblé. Era desesperador imaginar que nunca mais a veria. Vaguei por uns bons anos. De Carapicuíba a Recife, ao encontro de Pai Edu, passando pela Serrinha e por outros tantos lugares eu esperava ansiosa por um sinal, uma notícia, um beijo talvez, um afago da minha Clara.
Um dia compreendi que não viria. Não eu nunca mais a veria. Não nesse mundo. Veio a revolta e resolvi “esquecer” tudo o que me ligava a ela. Não queria – não podia na verdade – ouvir suas músicas. Vê-la em vídeo nem pensar. A cada ano o 2 de abril era uma tormenta que começava no dia 5 de março...
A primeira vez que fui ao São João Batista quase não sai de lá, achei que morreria ali. Eu que sempre tive pânico de morte e cemitério, eu que fui poupada de ver Clara num caixão sendo enterrada sofri as penas do inferno e me recusava a acreditar que a pessoa que melhor representava a vida pudesse estar naquele túmulo frio.
Deolinda Vilhena e Clara Nunes 

Esses primeiros cinco anos só não foram piores porque eu tinha meu filho, que fora tão amado por ela desde o dia em que a chamei para contar que estava grávida do Cacheado – que fizera o som do casamento dela com Paulinho! Mas sofri muito. Até o dia em que “briguei” com a Clara, em que decidi não perdoá-la por ter me “abandonado” à beira do caminho.
O tempo passou. Não posso dizer o mesmo da dor. Aprendi a conviver com ela. Mas havia sempre uma lágrima no canto do rosto, um aperto no coração, uma tristeza contida, amadurecida que continuava me impedindo de fazer meu luto.
Escrevi para revistas, escrevi para mim e para os outros, depois escrevi em blogs, no Orkut e agora no Facebook sobre esse amor, essa amizade e essa saudade. Briguei com os fãs fundamentalistas, fui “roubada” em minhas preciosas fotos – mais de mil – de momentos tão nossos e vira e mexa as encontro na internet, sem que eu nada possa fazer, nem mesmo processar os culpados. Afastei-me da família de Clara. Afastei-me de vez de Paulo César Pinheiro, dizem mesmo que ele me culpa de ter contado a Clara que ele tinha um caso com Luciana Rabello antes mesmo da morte de Clara. Mas não permiti - e não permito ainda hoje! - que roubassem a história linda que vivi com ela ao longo de dois anos.
Por tudo isso, a cada vez que me convidam para ver um show em homenagem a Clara, uma cantora que canta o repertório da Clara, sempre fico muito inquieta. Durante anos me recusei. Algumas vezes sai deprimida. Até entender que o problema era meu. Eu ia para cada um desses encontros buscando encontrar a MINHA CLARA e ela nunca veio a esses encontros.
Uma vez no ano do Brasil na França, em 2005, pela primeira vez vi em paz um show onde uma cantora, esqueci seu nome, cantava muitas músicas da Clara...
Muitos anos depois, já morando aqui em Salvador, numa véspera do 2 de fevereiro em companhia de minha amiga Hebe Alves fui a um bar no Rio Vermelho e ouvi uma cantora, Maira Lins, hoje minha amiga, cantando Clara, sem a força musical de Clara, sem a voz de Clara, mas com uma força humana, um charme e um carisma, além de um bom caráter visível que me fez cogitar produzir alguma coisa sobre a Clara. Algo que devo a ela, Clara Nunes mas acima de tudo a mim, talvez a única maneira de efetivamente fazer meu luto. Ninguém, exceto Paulo César Pinheiro, nesse mundo de vivos a conhece melhor do que eu...em seus dois últimos anos de vida fui sua maior amiga e confidente. Mas 2013 marcava os 30 anos de morte de Clara e surgiram tantas homenagens que não fui capaz de me empenhar o suficiente para fazer a minha própria homenagem. E foram tantas e tão ruins que decidi não fazer nada e mais uma vez calei. Talvez por isso não tenha prestado atenção à estreia de Deixa Clarear...mas não me recrimino, nem me culpo, acredito que as coisas acontecem quando têm de acontecer.
Pois hoje, dia 17 de maio de 2015, chegou o dia de assistir Deixa Clarear. Convidada por Isaac Bernat, como eu quis que ele estivesse aqui hoje, acompanhada de Maira Lins, fui ao Teatro Jorge Amado com o coração tremendo, mais contida, mais escolada, mas ainda incapaz de saber como reagiria ao ouvir o repertório de Clara e mais ainda: como reagiria a ver uma atriz representá-la.
E foi lindo! Clara Santhana é antes de tudo uma belíssima ATRIZ. Conversando com seu produtor, Sandro Rabello, soube que ela não era cantora antes de fazer o Deixa Clarear. Informação preciosa, porque ver uma atriz interpretando o papel de uma cantora sem ser cantora é outra coisa.
Clara Santhana tem 27 anos, ou seja nasceu cinco anos após a morte de Clara Nunes. Quero muito poder conversar com ela para saber como e quando essa história de amor nasceu, sim, porque só uma história de amor termina num espetáculo que é uma declaração de amor a uma pessoa que ela NÃO conheceu.
Clara Santhana NÃO se parece com Clara Nunes. Clara Santhana NÃO tem a potência vocal de Clara Nunes. Clara Santhana NÃO imita Clara Nunes. Clara Santhana NÃO É Clara Nunes. Mas como atriz ela me fez ver Clara Nunes em cena em diversos momentos, particularmente quando ela cantou Na Linha do Mar e A Deusa dos Orixás...Desde que comecei a trabalhar com Clara, durante a temporada do Clara Mestiça no Teatro Clara Nunes, não mais permiti a venda da poltrona A1. Casa lotada, cadeira extra, mas a poltrona A1 era reservada por Léa, bilheteira do teatro e tia de Paulinho Pinheiro, irmã de D. Célia, para mim. Vi mais de 80 vezes o show nessa situação privilegiada. E em determinados momentos Clara brincava comigo quando cantava, um desses momentos era quando ela cantava Na Linha do Mar...hoje Clara Santhana executou movimentos impressionantemente parecidos com os movimentos feitos por Clara nesse momento...Lá as lágrimas desceram e a saudade bateu forte no peito. A Cristina Ohana me disse que levasse o lenço e eu esqueci...foi difícil.
A presença cênica, a movimentação, os gestos de Clara Santhana são impressionantes. Eu vi Clara em cena em alguns momentos por conta desse gestual e dessa movimentação. E a cada vez que esse encontro acontecia, as lágrimas rolavam pelo meu rosto...
A direção de Isaac Bernat confere ao espetáculo a leveza e a delicadeza que eram a marca maior de Clara. Há esperança no ar. As pessoas saem do teatro felizes com o que viram. Deixa Clarear é a prova de que um musical NÃO precisa de nove milhões de reais de orçamento para cumprir sua primeira e mais importante função: emocionar a plateia. Vi muitos rostos tocados e emocionados. Pessoas que, como eu, mataram a saudade de Clara ou relembraram os muitos bons momentos vividos ao som das músicas de Clara. Sai do teatro de alma lavada. Trinta e dois anos depois, graças a uma menina de 27 anos que NÃO conheceu Clara Nunes, que nasceu cinco anos após a morte de Clara Nunes posso afirmar que fiz meu luto hoje. Trinta e dois anos após a morte de Clara eu fiz meu luto na plateia do Teatro Jorge Amado, ao lado da minha querida Maira Lins que canta tão lindamente a minha Clara, e esse luto que precisou de trinta e dois anos para ser feito, foi feito lindamente quando Clara Santhana cantou Um Ser de Luz...talvez por essa música ter sido composta por João Nogueira e Paulo César Pinheiro após a morte de Clara, mas quando ecoaram os primeiros acordes de Um Ser de Luz eu comecei a soluçar, chorei o choro que não consegui chorar na manhã de 2 de abril de 1983, quando com meu filho com apenas 10 dias no colo, após amamenta-lo, pela última vez – o leito empedrou, secou – ouvi de minha mãe a notícia dada por Dindinha por telefone: Clara havia morrido às 4h30 da manhã daquele sábado de aleluia, que para mim passou a ter cara de quarta-feira de cinzas.
Obrigada Clara Clara J Santhana, obrigada Isaac Bernat, obrigadaSandro Rabello, obrigada Milena Leão da Carambola Produções que trouxe Deixa Clarear, peça Musical sobre Clara Nunes a Salvador...que Clara continue a iluminar os caminhos de vocês e contem comigo, no que eu souber e puder fazer, nos encontraremos em Caetanópolis, dia 12 de agosto, com certeza.
Deolinda Vilhena - 

23 abril 2015

Na Bahia

Musical sobre vida e obra de Clara Nunes chega em maio a Salvador

Espetáculo será apresentado nos dias 15, 16 e 17, no Teatro Jorge Amado. 
Ingressos custam R$ 60 (Inteira) e R$ 30 (Meia); classificação é livre


A atriz Clara Santhana dá vida a Clara Nunes em Deixa Clarear (Foto: Divulgação/Facebook Deixa Clarear)
A atriz Clara Santhana dá vida a Clara Nunes em Deixa Clarear (Foto: Divulgação/Facebook Deixa Clarear)




10 abril 2015

Noite especial- Homenagens à Clara


Clara Santhana e Maria Gonçalves ( a Dindinha, irmã de Clara Nunes)
Reprodução(Facebook)


A noite de ontem foi de muita emoção! Desde que nasceu o Deixa Clarear, esperávamos pelo momento em que Dindinha, irmã da amada Clara Nunes fosse nos assistir. Essa homenagem também pertence a ela!!! Ficamos muito felizes de recebê-la ontem, no palco SesiMinas, em BH, quando subiu ao palco no final da apresentação e carinhosa proferiu palavras elogiosas ao trabalho. Só temos a agradecer a ela, que é uma Guerreira, batalhadora e trabalha para manter viva a memória da Clara através do Memorial Clara Nunes e da Creche em Caetanópolis. Agradecemos também o carinho do público de BH e ao SESI Minas, que nos convidou para essa turnê dentro do SESI no Palco, nos dando a oportunidade de apresentar nossa peça ao público de Minas Gerais!!!! Continuamos e esperamos vocês! Hoje no SESI Contagem, às 20h e amanhã em Itauna, também às 20h. Ingressos gratuitos!

09 abril 2015

Jornal O Tempo

CLARA NUNES

Um salve para a guerreira 

Musical “Deixa Clarear” chega finalmente a Belo Horizonte, hoje, e inicia turnê por sete cidades de Minas Gerais

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Conceito. Cercada por apenas quatro músicos, Clara Santhana dá vida a Clara Nunes nos palcos
PUBLICADO EM 09/04/15 - 03h00
Não foi à toa que Clara Nunes ficou conhecida como guerreira. Cantou de Candeia a Chico Buarque, mas passou a carreira fugindo dos rótulos de romântica, sambista e até macumbeira – este último por transformar o repertório religioso africano em músicas de sucesso. Teve a graça de se tornar a primeira mulher a vender 100 mil cópias de um disco no Brasil, mas nunca fez do sucesso uma condição para suas interpretações. Ao contrário, cantava Vinícius de Moraes e Elizeth Cardoso em festivais amadores por prazer, quando ainda tinha como profissão o ofício de tecelã.

Para destrinchar essas e outras facetas pouco exploradas da mineira Clara Nunes, dona de uma das vozes mais primorosas da música brasileira, o musical “Deixa Clarear” retorna aos palcos. Depois de ser visto por cerca de 45 mil pessoas em um ano, após a estreia no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro, em 2013, a montagem inaugura temporada em Minas Gerais, a começar por Belo Horizonte, em estreia gratuita, hoje à noite, no Teatro Sesiminas. Depois da capital, o musical segue para uma turnê em outras sete cidades mineiras.
Longe da estética cronológica que ronda as biografias de musicais no Brasil, “Deixa Clarear” decidiu reverenciar Clara Nunes com um monólogo – a exemplo do que fez a montagem “Gonzaguinha – Eterno Aprendiz Eterno”, de 2013. A dramaturga Márcia Zanelatto, que assina o texto, se refere à escolha estética do musical como um biogratema. “Não há cronologia por dois motivos. Em primeiro lugar, a Clara não gostava de expor sua vida pessoal. Nunca mencionava em entrevistas namorado, brigas, casos, mágoas. Só falava de sua infância. Depois, ela ensinou muito por suas músicas, elas é que contam quem foi a artista, refletem suas posturas e atitudes”, avalia a escritora.
A responsabilidade de dar vida a Clara Nunes no palco e segurar o público com um monólogo de 75 minutos é da atriz Clara Santhana, 27, uma carioca nascida em Visconde de Mauá, e completamente apaixonada pela obra da cantora. Foi ela, aliás, quem convenceu Marcia Zanelatto e o diretor Isaac Bernat a levar a história da cantora guerreira aos palcos. “A gente não queria nada complexo. Cenário, figurino, nada, nada. Eu só queria mostrar pra juventude que Clara Nunes batalhava pela bandeira deles também. Por isso o monólogo funcionou tão bem. Entre as canções, estão dispostas pequenas reflexões de vida da Clara”, esclarece a atriz.
Dessa forma, “Deixa Clarear” expõe Clara Nunes ao público em várias facetas diferentes: desde o fracasso da estreia, quando a romântica intérprete topou gravar boleros e samba-canções no álbum “A Voz Adorável de Clara Nunes” (1966), por imposição da gravadora Odeon, até a Clara do Chacrinha, uma artista pop que atingiu a marca de 500 mil cópias vendidas com o LP “Alvorecer” (1974), ganhando o posto de queridinha de um dos maiores apresentadores da história da TV brasileira.
No palco, Clara Santhana se mune com pulseiras chamativas, saias rodadas, coroa de flores e pés descalços, sendo acompanhada apenas pelos músicos Luciano Fogaça (percussão), Bidu Campeche (percussão e cavaquinho), Felipe Rodrigues (violão) e Lauro Lira (flauta e violoncelo), que interpretam arranjos acústicos criados pelo diretor musical Alfredo Del Penho – também responsável pelos arranjos de “Gonzagão, a Lenda”, “Sassaricando” e “A Ópera do Malandro”. “No caso da Clara Nunes, é fácil ligar suas canções a sua própria vida. Ela descreve praticamente o Brasil naquilo que canta e não conheço outra cantora tão brasileira como ela”, diz Del Penho.
Assim, cada uma das 20 músicas do repertório contam várias passagens da vida de Clara Nunes. A exemplo de “A Deusa dos Orixás”, revelando sua devoção à umbanda, “Portela na Avenida”, em alusão à intérprete que mais gravou sambas da escola de coração, e “Morena de Angola”, inserindo o repertório de cânticos africanos e toque de atabaques na música brasileira. “Clara era uma defensora dos trabalhadores, uma estudiosa da música africana e uma cantora impossível de aplicar rótulos. Tudo o que ela cantava tinha um discurso político e social forte. Ela foi uma tecelã por mais de dez anos. Depois do sucesso, fez várias viagens à África para se aprimorar espiritualmente. É uma história linda”, resume Isaac Bernat, diretor do musical.
Agenda
O QUÊ. “Deixa Clarear”
ONDE. Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia)
QUANDO. Hoje, às 20h
QUANTO. Entrada gratuita, mediante retirada dos ingressos na bilheteria uma hora antes do início do espetáculo

08 abril 2015

Revista Veja BH- Chega na capital o espetáculo "Deixa Clarear"



Musical Deixa Clarear reverencia a vida e a obra da cantora mineira Clara Nunes

Espetáculo sobre uma das maiores intérpretes brasileiras fica em cartaz na quinta (9), no Teatro Sesiminas

por Isabella Grossi | 08 de Abril de 2015
Claudia Ribeiro

A atriz carioca Clara Santhana: protagonista e idealizadora da peça

Fã de carteirinha da mineira Clara Nunes - uma das maiores intérpretes da música brasileira, que emplacou sucessos nos anos 70 e 80 -, a atriz carioca Clara Santhana dedicou-se com afinco ao musical Deixa Clarear. Entre estudos e pesquisas, foi até Caetanópolis visitar Dindinha, irmã da sambista, e voltou munida de histórias. Adicionou a elas um repertório clássico, com canções como O Canto das Três Raças (Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte), Na Linha do Mar (Paulinho da Viola), O Mar Serenou (Candeia) e Morena de Angola (Chico Buarque). Com 75 minutos, o espetáculo mistura música e poesia para contar, de forma delicada, um pouco da trajetória da Sabiá, apelido carinhoso dado por Vinicius de Moraes. A direção é de Isaac Bernat (75min). Livre. 

Teatro Sesiminas (660 lugares). Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, ☎ 3241-7181.  Quinta (9), 20h. Grátis. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do espetáculo.

Entrevista à Rádio Jornal do Brasil

"Em dias chuvosos, minha companhia é Elizeth Cardoso", disse Clara Nunes em 1973

Em entrevista à extinta Rádio Jornal do Brasil AM, cantora revelou que tinha Elizeth como "espelho"
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Capa do disco "Claridade", lançado em 1975.
Capa do disco "Claridade", lançado em 1975. Divulgação

O quadro 'O rádio faz história', do programa Todas as Vozes desta quarta-feira, 8 de abril, apresentou a quarta parte da entrevista de Clara Nunes à extinta Rádio Jornal do Brasil AM, em 1973. A cantora falou de sua admiração por Elizeth Cardoso: "é meu espelho, minha referência. Em dias chuvosos, ponho para tocar discos com Elizeth. É uma grande honra ser amiga dela".

No Especial JB, apresentado por Simon Koury e Ney Hamilton, Clara contou também que queria gravar músicas de Vinícius de Moraes, sonho que acabou sendo realizado em seguida ao lançar sua coletânea dos principais shows.

Saiba mais sobre os discos, hábitos de leitura e costumes da saudosa cantora Clara Nunes no quadro 'O rádio faz história' com colaboração do radialista goiano Paulo Francisco. É só conferir, no player acima, e ouvir a íntegra da entrevista.

O programa Todas as Vozes vai ao ar de segunda a sexta-feira, de 7h05 às 10h, na Rádio MEC AM do Rio de Janeiro - 800 kHz, com apresentação do jornalista e radialista Marco Aurélio Carvalho.
 

05 abril 2015

Jornal Pampulha BH- Eterna (e terna) Clara Nunes - musical em sua homenagem chega à BH

ARTES CÊNICAS- Jornal pampulha - bh 

Eterna (e terna) Clara Nunes


Uma das maiores cantores brasileiras de todos os tempos, Clara Nunes é tema de musical
Uma das maiores cantores brasileiras de todos os tempos, Clara Nunes é tema de musical
PUBLICADO EM 04/04/15 - 
LETÍCIA FONTES
No começo de sua carreira em disco, Clara Nunes teve de lutar para não ser cantora de boleros. Conseguiu. Mas muito mais ainda ela lutaria, depois, para não ser considerada apenas como “cantora de samba”. Morreu sem que muita gente tenha se dado conta de que ela queria mesmo era cantar tudo, sem estereótipos. E é com essa missão, de manter vivas história e memória dessa “tal mineira” que Belo Horizonte recebe na próxima quinta-feira (9), o espetáculo “Deixa Clarear, Musical Sobre Clara Nunes”, no teatro Sesiminas.

Natural de Caetanópolis, Clara Nunes sacramentou o poder feminino na música brasileira na década de 1970. Através de seus vestidos rendados, pulseiras, tiaras e um timbre caloroso e ao mesmo tempo enternecedor, ela foi a primeira cantora brasileira a ultrapassar a marca de 500 mil cópias vendidas com o LP “Alvorecer”. Inspirada na força e dedicação da cantora, a carioca Clara Santhana teve a ideia de montar um espetáculo especialmente dedicado à mineira. “Foi na cara e na coragem, sem patrocínio, que quis montar um espetáculo para Clara. Nisso a gente é bem parecida. Lembro que desde pequena minha mãe falava sobre ela, mas foi mesmo na faculdade que passei a escutar e a me interessar mais por esse universo do samba e da mitologia. O que meu deu mais força para mergulhar fundo nesse projeto foi perceber que muitos jovens não conhecem sua música. Eu quero contribuir para manter acesa a chama de seu repertório, de sua poesia”, declara a atriz, que vive a xará nos palcos.

Com texto de Marcia Zanelatto e direção de Isaac Bernat, o musical passeia pelas várias fases da carreira e vida da cantora, com um repertório composto por grandes compositores e letristas, como Paulo César Pinheiro (com quem Clara foi casada), João Nogueira, Paulinho da Viola, Candeia, Chico Buarque e Nelson Cavaquinho. O espetáculo, que estreou em 2013, já alcançou um público de mais de 45 mil espectadores em todo o Brasil. E, para aproveitar o sucesso, a montagem, primeira atração do projeto “Sesi no Palco”, irá passar, em abril e maio, pelas cidades de Contagem, Itaúna, Uberlândia, Uberaba, Ouro Preto, Mariana e Tiradentes.

Despojado
Apesar do formato musical, “Deixa Clarear, Musical Sobre Clara Nunes” se enquadra em outra categoria, segundo o diretor Isaac Bernart. “Diferente dos grandes musicais, nós pensamos em produzir uma peça mais despojada, até para termos facilidade e agilidade para viajar para qualquer lugar”.

Ele conta que são quatro músicos e a Clara em cena. “Nós não tivemos a preocupação em contar cronologicamente sua vida e o mais legal é que apesar de simples, temos recebido um retorno muito bacana, tanto de fãs quanto de crianças e pessoas que não conheceram a grande guerreira que foi Clara”, afirma o diretor.

Deixa Clarear, Musical sobre Clara Nunes
Teatro Sesiminas (r. Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, 3241-7181). Dia 9 (quinta), às 20h. Gratuito. Livre.
 http://www.otempo.com.br/pampulha/almanaque/eterna-e-terna-clara-nunes-1.1018990

MUSICAL

Vida e obra de Clara Nunes estarão em cartaz na cidade (Contagem-MG)

A peça já alcançou o público de 45 mil pessoas e poderá ser assistida no Teatro Sesi Contagem, no próximo dia 10; a entrada é gratuita e os ingressos serão retirados no local

musical
Musical apresenta várias fases da carreira de Clara Nunes e tem como ponto alto a música, que atua como uma extensão da cena
PUBLICADO EM 01/04/15 - 19h09
A mineira que dividia seu tempo como tecelã e cantora em um coral, em Belo Horizonte, ganhou o mundo ao cantar o melhor do samba brasileiro com sua “voz de ouro”. Natural de Caetanópolis (MG), Clara Nunes, também conhecido como “A Guerreira”, marcou a história da música brasileira e é homenageada no musical “Deixa Clarear”, com direção de Isaac Bernat e texto de Márcia Zanelatto. O espetáculo, que já alcançou público de 45 mil pessoas, estará em Contagem, no Teatro Sesi Contagem, no próximo dia 10.
A peça é a primeira atração do projeto Sesi no Palco, que vai levar aos principais pólos e cidades industriais de Minas Gerais mais arte e cultura para o trabalhador da indústria ao longo do ano. Todas as apresentações são gratuitas, sempre às 20h.
“Deixa Clarear”, musical sobre Clara Nunes” tem como protagonista a atriz carioca Clara Santhana, idealizadora do projeto e apaixonada pela obra da cantora mineira. O espetáculo é o encontro das duas Claras: a atriz e a cantora. Para a pesquisa e preparação do espetáculo, Clara esteve em Caetanópolis, MG, onde realizou entrevistas com Dindinha, irmã da cantora, e visitou o Memorial Clara Nunes, onde estão expostos seus figurinos e prêmios.
Com duração de 75 minutos, o musical apresenta várias fases da carreira e da vida de Clara Nunes e tem como ponto alto a música, que atua como uma extensão da cena. Estão lá clássicos da cantora, como “O Canto das Três Raças” (Paulo Cesar Pinheiro/ Mauro Duarte) e “Na Linha do Mar” (Paulinho da Viola), “Morena de Angola” (Chico Buarque), “Um Ser de Luz” (João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte) e “O mar serenou” (Candeia), entre outros. O espetáculo mistura música e poesia para contar, de forma delicada, um pouco da trajetória de Clara Nunes, com o objetivo de incentivar a juventude a valorizar a música brasileira e suas raízes genuínas. “Nossa ideia é apresentar o legado de Clara Nunes para as novas gerações”, explica Clara Santhana. A atriz se apresenta acompanhada da banda formada por Luciano Fogaça (percussão) e Bidu Campeche (percussão e cavaquinho), Felipe Rodrigues (violão) e João Gabriel (flauta e sax tenor).

O projeto
O espetáculo “Deixa Clarear” é a primeira atração do projeto Sesi no Palco, iniciativa do Serviço Social da Indústria de Minas Gerais (Sesi MG) com intuito de levar mais cultura para a sociedade, a indústria e seu trabalhador, com foco nas principais cidades industriais de Minas Gerais.
O gerente de cultura do Sesi MG, Thiago Maia, explica que a escolha da peça para dar início à ação se deve também ao fato da Clara Nunes ter sido, por muitos anos, uma industriaria, tendo trabalhado como tecelã na mais antiga indústria mineira, a Cedro Têxtil S.A., e, posteriormente, na Fábrica de Tecidos Renascença. “Aos sons dos apitos da fábrica, Clara Nunes modulou sua voz para encantar o público brasileiro. Contar sua história aos industriários, sua vivência dentro das fábricas, é mostrar a eles como todos são talentosos por si só. Investir no trabalhador é fortalecer e contribuir para a economia, ao melhorar sua qualidade de vida a empresa sente o reflexo em sua produção, com maior competitividade e baixo no absenteísmo”, ressalta.
Ao longo do ano haverá apresentações artísticas de dança, teatro, música nos espaços culturais do Sesi e em praças públicas, todas gratuitas.
Serviço
A entrada é gratuita, e os ingressos são limitados à capacidade do teatro. A retirada do ingresso será feita no dia do evento até uma hora antes do início das apresentações.

Na estrada desde 2013
O musical estreou em 2013 no Teatro Café Pequeno, como uma homenagem aos 30 anos de morte da cantora mineira.  Com o sucesso, seguiu para o Teatro das Artes, o Teatro João Caetano e, desde então, já rodou por cidades como Niterói, Resende, Araxá (MG) e Goiânia (GO). “O mérito desse sucesso está na brilhante atuação de Clara Santhana, na direção cuidadosa do Isaac Bernat e na nossa excelente equipe de produção”, afirma a autora Márcia Zanelatto.
A atriz Clara Santhana é dirigida por Isaac Bernat, que recentemente assinou a direção de “Calango Deu” e atua na peça “Incêndios” com Marieta Severo. Já a direção musical ficou a cargo de Alfredo Del Penho que participou de musicais como “Gonzagão, A Lenda”, “Sassaricando” e “A Ópera do Malandro”. 

SÁB 04/04/15

ARTES CÊNICAS - 03h00
Eterna (e terna) Clara Nunes

“Transitar pelo universo musical e pela memória de Clara Nunes nos abriu uma imensa possibilidade de olhares sobre o Brasil, bem como sobre o que é ser um artista profundamente envolvido com a sua arte e com seu país”, explica o diretor Isaac Bernat.