Blog Clara Nunes

25 junho 2013

São Paulo tem Fabiana Cozza com sua homenagem à Clara Nunes








Fabiana Cozza agendou para 2 e 3 de agosto de 2013 a gravação ao vivo de Canto sagrado, o show que idealizou e estreou em 2012 para celebrar os 70 anos do nascimento da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). O registro do espetáculo - em que Cozza dá voz a músicas como Meu sapato já furou (Mauro Duarte, 1974), A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975), Feira de mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha, 1977 e Novo amor (Chico Buarque, 1982) - vai ser feito em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). Na sequência da gravação, Cozza - em foto de Manoel de Brito - traz o show ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação única agendada para 10 de agosto de 2013 na Sala Baden Powell.




Fabiana Cozza em: Canto Sagrado / GRAVAÇÃO DVD

Data: 02 e 03 -08-2013 às 21:00
Local: Auditório Ibirapuera

Fabiana Cozza em: Canto Sagrado - 70 anos de Clara Nunes

Data: 10-08-2013 às 20:00
Local: Sala Baden Powell / Rio de Janeiro

Mais uma homenagem vinda do Nordeste: Valéria Oliveira

Cantora Valéria Oliveira lança o tão esperado CD em águas claras em homenagem à Clara Nunes

GRANDE SHOW DE LANÇAMENTO DO CD EM ÁGUAS CLARAS DE VALÉRIA OLIVEIRA
Foto: Divulgação
Valéria Oliveira lançará o tão aguardado CD em águas claras em homenagem à Clara Nunes com patrocínio da COSERN e do Governo do Estado por meio da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura. O Maestro e gaitista Rildo Hora, que assina a produção musical e a maior parte dos arranjos do CD, é presença confirmada e fará uma participação especial no show de lançamento, dia 11 de julho, no Teatro Riachuelo, em Natal.
Com 22 anos de carreira, Valéria Oliveira tem um histórico de importantes realizações em prol da música e do artista potiguar. Ela foi a idealizadora do Projeto Retrovisor e do Projeto sem perder o passo, que tem como objetivo o fortalecimento da produção autoral na cidade.
Foi de Valéria também a ideia do Projeto Música NO AR que visa valorizar o artista potiguar por meio do intercâmbio cultural com artistas com carreiras consolidadas em outras cidades brasileiras e conhecidos nacionalmente. Dentro dessa linha de intercâmbio cultural, Valéria também criou MPB JAZZ que acaba de ser contemplado com o patrocínio da COSERN e do Governo do Estado via Lei Câmara Cascudo para a terceira edição que ocorrerá ainda este ano.
Com o Música NO AR, Valéria Oliveira foi a primeira artista com carreira desenvolvida na cidade a produzir um show musical no Teatro Riachuelo quebrando o tabu de que o teatro era inacessível para o artista potiguar com produções locais. Com o show de lançamento do CD em águas claras, Valéria bate recorde de apresentações musicais (quatro) como atração principal naquele Teatro.
A potiguar já representou a música do Rio Grande do Norte no Festival SXSW em Austin – Texas, em diversos clubes de Jazz em New Orleans, em temporadas na Suiça e em diversos locais no Japão incluindo a famosa casa noturna Blue Note, onde dividiu o palco com Wanda Sá. No Brasil, Valéria Oliveira teve a honra de dividir o palco com Ademilde Fonseca, Dona Ivone Lara, Monarco e a Velha Guarda da Portela, Leila Pinheiro, Daúde e Joyce, entre outros.
O time de bambas natalenses que acompanha Valéria Oliveira no show em águas claras é formado por Jubileu Filho (baixo/trompete/violão de 12 e vocal), responsável também pela direção musical do show; Alexandre Moreira (violão de 7 e bandolim); Cacá Veloso (violão de 6); Raphael Almeida (cavaquinho e bandolim); Rogério Pitomba (bateria); Del do pandeiro (pandeiros e vocal); Aluízio Pisão (percussão); Kelliney Silva (percussão e vocal); Ângela Castro, Tiquinha Rodrigues e Alexandre Piter (vocais) e tem ainda as participações especiais dos respeitados músicos Zé Hilton, na sanfona, e Willames Costa no contrabaixo acústico.
Como já é marca registrada nos shows da potiguar Valéria Oliveira, os ingressos sociais para a democratização do acesso à cultura, desta vez contemplará 150 pessoas das comunidades de Sibaúma, Pipa, Tibau, Pernambuquinho, Cabeceiras, Manimbu, Bela Vista, Piau, Umarí do projeto Somos Saúde e 50 jovens de outros projetos incluindo a Ilha de Música e Casa do Bem, totalizando a distribuição gratuita de 200 ingressos sociais.
Serviço:
Lançamento do CD em águas claras de Valéria Oliveira
Teatro Riachuelo
11 de julho de 2013 às 21h
Valores dos ingressos:
Pista: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
Plateia, Frisa e Balcão Nobre: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada)
Camarote: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia entrada)
Patrocínio: COSERN, Governo do RN e Lei Câmara Cascudo
Apoio Cultural: Villa Park e 88,9 FM Universitária
Realização: Green Point
Informações para a imprensa: Mônica MacDowell 99889421
Sobre o CD
Nomes de grandes músicos do universo do samba estão presentes no CD como Carlinhos 7 cordas, Marcos Esguleba, Pretinho da Serrinha, Jamil Joanes, Camilo Mariano, Hulk, e Misael da Hora, músicos do Rio de Janeiro, e Del do Pandeiro e Jubileu Filho, de Natal, que acompanham Valéria desde o início do projeto em águas claras. Nos vocais, Maestro Bruno Leonardo, Patrícia Hora e Nina Pancevsky.
Gravado na Companhia dos Técnicos no Rio de Janeiro e no Megafone em Natal, o processo de gravação proporcionou um produtivo intercâmbio cultural entre os músicos das duas cidades.
O CD em águas claras conta ainda com a participação especial de Monarco e da Velha Guarda da Portela na faixa “Jardim da Solidão” e com as participações do Maestro Rildo Hora, Márcio Vanderlei, Zé Hilton, Antônio de Pádua, Willames Costa, Jotapê, Alexandre Moreira, Cacá Veloso, Raphael Almeida e Kelliney Silva que dão um toque especial ao CD. Participam ainda dos vocais, Ângela Castro, Tiquinha Rodrigues e Alexandre Piter e alguns amigos de Valéria no coro popular nas faixas Portela na Avenida e Alvoroço no Sertão.
O repertório, fruto de pesquisa iniciado por Valéria em 2008, inclui alguns clássicos como “Tristeza pé no chão” (Armando Fernandes), “Canto das três raças” (Mauro Duarte/Paulo César Pinheiro), “Você passa eu acho graça” (Ataulpho Alves/Carlos Imperial), “Conto de areia” (Romildo/Toninho), “O mar serenou” (Candeia), “Juízo final” (Nelson Cavaquinho/Élcio Soares), “Minha Missão” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), “Portela na avenida” (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), “Um ser de luz” (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) e “Mineira” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro).
Estão presentes também no CD outras pérolas que não foram tão difundidas na voz de Clara como “Casinha Pequenina” (domínio público); “Apenas um Adeus” (Edil Pacheco/Paulinho Diniz/Roque Ferreira); “À Flor da Pele” (Clara Nunes/Maurício Tapajós/Paulo Cezar Pinheiro); “Alvoroço no Sertão” (Aldair Soares/Raymundo Evangelista); “Puxada da rede do xaréu” (Maria Rosita Salgado Góes); “Basta um dia” (Chico Buarque) e “Jardim da Solidão” de Monarco.
O encarte do CD em águas claras, assinado pelo potiguar Jorge Henrique, traz recortes de um passado de Clara Francisca em Caetanópolis, cidade natal da mineira, imagens da casa em que ela nasceu e passou a infância, além de peças e matrizes de tecidos expostos no museu Têxtil Décio Mascarenhas, da Fábrica do Cedro, onde Clara, seguindo os passos da família, iniciou sua carreira profissional como tecelã. Valéria Oliveira recebeu o aval de Dona Mariquita, irmã e madrinha de Clara Nunes, para a realização da homenagem e diversas pessoas da terra natal da sabiá mineira já confirmaram a presença no lançamento incluindo o jornalista e escritor Newton Vieira que assina a apresentação do CD.
Mônica Mac Dowell
[monica@greenpoint.art.br]

04 junho 2013

29 maio 2013

Aline Calixto canta Clara


29 e 30/05 - Auditório Fernando Sabino (UFV) - Viçosa/MG (show Clara Nunes)
08/06 - Part. Velha Guarda da Portela - Sesc Belenzinho - São Paulo/SP
15/06 - Circuito Cultural - Largo da Glória - Contagem/MG
23/06 - Museu de Arte da Pampulha - Belo Horizonte/MG (show Clara Nunes)

22 maio 2013

Velha Guarda da Portela em show inédito- Homenagem à Clara Nunes


 SALVE SAMBA!  
Velha Guarda da Portela - participação de :
Virgínia Rosa e Aline Calixto

SESC Belenzinho
 
 
Dia(s) 07 e 08 de junho 2013
Sexta e Sábado, às 21h30

Sao Paulo 
A Velha Guarda da Portela presta homenagem à eterna madrinha Clara Nunes interpretando músicas de seu repertório. Entre os compositores escolhidos estão Monarco, Candeia, Manacéia, Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro. A direção musical é assinada por Paulão Sete Cordas, arranjador responsável pela direção musical de inúmeros trabalhos realizados com a Velha Guarda da Portela e grandes nomes do samba. Participações especiais de Virgínia Rosa (07/06) e Aline Calixto (08/06). Comedoria.
 Duração: 1h30. Ingressos à venda pela rede INGRESSOSESC a partir de 24/05, às 14h. 

  

21 maio 2013

Em cartaz no Rio- Teatro Casa da Gávea


A SABIÁ 2

EM CARTAZ

A SABIÁ – TRIBUTO A CLARA NUNES

  • quarta, 8 de maio - 20h
  • quinta, 9 de maio - 20h
  • quarta, 15 de maio - 20h
  • quinta, 16 de maio - 20h
  • Amanhã, 22 de maio - 20h
  • quinta, 23 de maio - 20h
  • quarta, 29 de maio - 20h
  • quinta, 30 de maio - 20h
A SABIÁ 1
Neste espetáculo, contamos a trajetória musical de um dos maiores mitos da música brasileira, Clara Nunes,  como numa conversa livre de bar.  Desde seu início de carreira até o seu último sucesso!
Grandes nomes da MPB e do cenário artístico nacional que tiveram grande influência na vida artística de Clara, entram em cena como os “narradores” de sua trajetória de luta.

Através das músicas executadas durante o espetáculo, fãs e público  fiéis, poderão matar a saudade da inesquecível Clara Nunes.  Do início até a celebração do sucesso, passo a passo.
A SABIÁ – TRIBUTO À CLARA NUNES é um espetáculo que pretende levar ao palco a beleza e a genialidade da voz, carisma e sedução de Clara Nunes.
Esta produção tem por objetivo o resgate da memória da cantora mineira, um dos maiores nomes da música nacional destacando seus maiores sucessos reaproximando não só uma legião de fãs, mas o público de uma forma geral, contando sua história que pretendemos preservar e também sua contribuição no cenário artístico nacional, valorizando o que é nosso, MISCIGENANDO A MÚSICA E A CRENÇA BRASILEIRA.
O grande público aproveitará para se deleitar com as mais belas e imemoráveis músicas apresentadas durante as quase duas horas de espetáculo !!!
Esta espetáculo, é inédito e conta com o apoio da imensa legião de fãs da grande cantora, precocemente falecida, Clara Nunes. Duração: 90 minutos – Livre 

30 abril 2013

Globo News- Clara Nunes especial


Edição do dia 25/04/2013
25/04/2013 11h16 - Atualizado em 25/04/2013 11h16



Todas as pessoas têm uma missão,



 a minha é cantar, dizia Clara Nunes



Zelosa da carreira, tinha que se apaixonar pela música antes de gravá-la.
Cantora foi a primeira mulher a vender 100 mil cópias de um disco.

Chamada de ‘ser de luz’ pelo compositor João Nogueira, acreditava em seu canto como instrumento de transformação social e fez de sua voz uma arma de batalha.
Também chamada de guerreira, era a presença do candomblé e da umbanda na música popular brasileira. “Todas as pessoas têm uma missão. Eu tenho a missão de cantar”, disse em entrevista a Leda Nagle, no Jornal Hoje, em 1982.
A cantora nasceu na pequena cidade de Paraopeba, em Minas Gerais. Do pai, um violeiro muito conceituado na região, ela herdou o amor pela música e o nome. Para batizar os filhos, ele olhava no calendário quem era o santo do dia. Em 12 de agosto, dia de Santa Clara, nasceu Clara Nunes.
Como os pais morrerem muito cedo, a cantora começou a trabalhar aos 14 anos, como operária em uma fábrica de tecidos. “Acho fundamental a mulher ter uma profissão. Aprendi desde cedo a ser independente financeiramente e a lutar para conseguir as coisas. Digo que continuo operária. Hoje eu sou operária da música popular brasileira”, afirmou Clara no TV Mulher, em 1981.
Clara Nunes - Você passa, eu acho graça (Foto: Globo News)Capa do disco 'Você passa e eu acho graça'
Aos 16 anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde venceu diversos concursos de calouros e começou a tocar em rádios, televisões e boates. Aos 23, tentou a sorte no Rio, onde gravou o primeiro disco. Ela acreditava que só acertou mesmo a partir de 1968, quando gravou ‘Você passa e eu acho graça’, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial. “Ali me senti mais tranquila. Queria encontrar um caminho que não fosse parecido com nenhum artista e vi que tinha uma brecha, que era me voltar para o folclore”, contou ao TV Mulher, em 1982.
O auge do sucesso começou em 1974, com ‘Conto de areia’. Dali em diante, os discos de Clara Nunes saiam com, no mínimo, 200 mil exemplares vendidos. “Clarinha tomava muito cuidado com seu repertório e, para isso, ela tinha que se apaixonar pela música que iria gravar”, lembrou a amiga Bibi Ferreira no especial dedicado à cantora gravado em 1983.
Para o músico Sivuca, ela não era apenas uma grande sambista, mas uma intérprete que se saía bem em diversos gêneros. “Era romântica quando tinha que ser romântica e folclórica quando encarava uma música nordestina. Dispunha de um material vocal maravilhoso, era uma cantora de possibilidades ilimitadas”, disse.
Clara Nunes (Foto: Globo News)Em suas apresentações, Clara Nunes gostava de se vestir de branco e pedir proteção. As canções que exaltavam a fé fizeram dela símbolo do sincretismo religioso do país. (Fotos: Reprodução/Globo News)
A cantora mineira teve duas grandes paixões: a Portela, tradicional escola de samba do Rio, e o produtor musical Paulo César Pinheiro, com quem se casou. “O Paulinho foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Ele é simplesmente extraordinário, um grande amigo, um homem maravilhoso”, derreteu-se em entrevista ao Jornal Hoje, em 1979.
Em suas apresentações, vestia-se toda de branco e, antes de entrar no palco, batia no chão três vezes, rezava e pedia proteção aos orixás. “Eu sou muito mística, tenho uma fé muito grande e acredito nos orixás. É uma coisa que está dentro do meu coração, dentro da minha alma. É muito sincero da minha parte”, disse ao Jornal Hoje também em 1979. A fé cantada nas letras fez dela um símbolo do sincretismo religioso no país.
Clara recusava os rótulos e gostava de dizer que era uma cantora popular brasileira. “Uma coisa que sempre lutei na minha vida foi justamente ser uma cantora popular, que cantasse as coisas do meu povo, principalmente as boas. Só canto aquilo que é verdade. Eu sou uma cantora autêntica brasileira”, afirmou em 1976.

Assista na íntegra:

19 abril 2013

Programa especial Globo News-Arquivo N- Quarta ,24 abril


Edição do dia 19/04/2013

Arquivo N homenageia Clara Nunes, 

uma das maiores cantoras do país

   

Programa resgata entrevistas da artista e aborda temas como a infância pobre em Minas, a religião e o amor pelo compositor Paulo Cesar Pinheiro.


  •  
Clara Nunes (Foto: Globo/CEDOC)Arquivo N presta homenagem à cantora Clara Nunes, primeira artista do país a vender 100 mil cópias de um disco. Programa vai ao ar nesta quarta-feira (24), às 23h, na Globo News (Foto: Globo/CEDOC)
Há 30 anos, morreu Clara Nunes, umas das maiores artistas brasileiras e a primeira do país a vender 100 mil cópias de um LP. O Arquivo N de quarta-feira (24) presta uma homenagem à cantora. O telespectador vai conhecer toda a trajetória da artista que, através de sua música, levou o Brasil, em plena década de 1970, a lugares bem distantes como a África e o Japão.
Clara começou a trabalhar como tecelã e acabou se tornando um dos nomes de maior destaque da música brasileira. Sua imagem virou símbolo de sincretismo religioso e levou a umbanda e o candomblé para a MPB. No programa, sua história é contada por ela mesma através de entrevistas que concedeu à Globo ao longo da carreira. Em seus depoimentos, fala dos mais variados temas como religião, superstições, a infância pobre em Paraopeba, cidade de Minas Gerais, e seu amor pelo compositor Paulo Cesar Pinheiro.
O programa resgata ainda imagens de uma reportagem do Fantástico em que Clara volta à sua cidade natal para uma visita, imagens do início da carreira, de sua primeira canção de grande sucesso , ‘Você passa eu acho graça’,  e de sua participação especial no filme ‘Na onda do Iê, Iê, Iê’, em 1966.
Arquivo N em homenagem a Clara Nunes vai ao ar na quarta-feira (24), às 23h, na Globo News
.

Hoje na História- Jornal do Brasil


02 de abril de 1983: Adeus a Clara Nunes, a mineira guerreira, filha de Ogum com Iansã

Clara Nunes, por Ronaldo Theobald/CPDoc JB
Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar

Sua voz então a se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela se foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
E a gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz sua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melâncolia

Canta meu sabiá,
Voa meu sabiá,
Adeus meu sabiá...
Até um dia...

Clara Nunes, 39 anos, passou 28 dias em estado de coma profundo depois de submeter-se a uma operação de varizes. No seu último show no Portelão, em Madureira, com a velha guarda da escola do seu coração, ela prometeu voltar no 1º domingo de abril. Voltou com um dia de antecedência, para ser velada por cerca de 50 mil pessoas, num Sábado de Aleluia nublado, na quadra se apresentou. Os fãs enfrentaram sol, chuva, brigas e empurrões, e por duas vezes o caixão balançou, quase caiu.

Os fãs cantavam a Valsa do Adeus quando o caixão foi fechado. O surdo da Bateria da Portela marcou a saída de Clara Nunes pela última vez da quadra da escola. O prefeito em exercício, Jamil Haddad, decretou luto oficial por três dias.

Clara nasceu Clara Francisca Gonçalves Pinheiro na cidadezinha mineira de Paraopeba no dia 12 de agosto de 1943. Mudou-se aos 14 anos, já orfã de pai, o violeiro Mané Serrador - cantador de folias-de-rei, para Belo Horizonte, e foi cantar no coral de uma igreja. No início dos anos 60, deixava o anonimato ao conquistar o terceiro lugar na finalíssima nacional do concurso A Voz do Ouro ABC, cantando a Serenata do Adeus de Vinícius de Moraes. O salto para a projeção nacional foi em 1965, já no Rio de Janeiro, quando iniciou a longa parceria de 17 anos com a gravadora Odeon.
Clara Nunes recebendo artista em sua gravadora, a Odeon
Clara entre João Nogueira, Alcione e Nana Caymmi


Foi uma grande profissional do disco e uma estrela de primeira grandeza do palco. Em 1972, no Teatro Glauce Rocha, dividiu espetáculos com Vinícius e Toquinho, e com Paulo Gracindo. Como testemunho de sua coragem e de sua dedicação à vida artística, em 1977, Clara Nunes inaugurou seu teatro no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro com o espetáculo Canto das 3 Raças. Em 1981 levou milhares de pessoas ao Teatro Clara Nunes, para vê-la no show Clara Mestiça.


Uma desbravadora iluminada

Foi a primeira voz feminina a romper a barreira dos 100 mil discos, uma regra imutável dos corredores das gravadoras que dizia que mulher não vendia discos. Lançou para o sucesso de massa nomes idolatrados do mundo do samba. Gravou Candeia, Nelson Cavaquinho, Monarca, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, João Nogueira entre muitos outros da nata dos autores do gênero. Também passeou por outras veredas da música popular brasileira, sempre com resultados brilhantes.

Clara deixa um rastro de luz pelo caminho artístico que soube cavar com energia, coragem e fé.

11 abril 2013

Inspiração em Clara


Após homenagem a Clara Nunes, Victor Dzenk doa vestido a museu de MG

O modelo cedido por Dzenk é feito de seda, chiffon e fios de lurex. A estampa faz alusão à música Sabiá, de Clara Nunes, interpretada por Aline durante o desfile do estilista.Victor Dzenk doou o vestido que a cantora Aline Calixto usou durante seu desfile, na última terça-feira (09) durante o Minas Trend, ao Museu Têxtil Décio Magalhães Mascarenhas. Em sua apresentação, o estilista prestou homenagem à cantora Clara Nunes, que trabalhou na empresa de 1956 a 1958.
            Natureza e moda em comunhão na apresentação do estilista mineiro Victor Dzenk, que abriu, nesta terça-feira (9), na Praça das Águas, no Parque das Mangabeiras, o segundo dia de Minas Trend Preview, edição verão 2014. Com cenário idílico da Serra do Curral ao fundo, Aline Calixto, cantora e amiga do estilista, entoou ao vivo e em cores "Um ser de luz", de João Nogueira, e imprimiu nova roupagem a "Conto de Areia", música cantada por Clara Nunes, fonte de inspiração de Dzenk.

Da musa que disseminou a música afro e o samba, o estilista se apoderou da modelagem afastada do corpo em vestidos longos e kaftans semelhantes à roupa usada pela cantora. A flor usada na vasta cabeleira da "Morena de Angola" por hora foi substituída por charmosas casquetes de pedaços de tecido recortados.  

Uma Clara Nunes contemporânea foi idealizada por Dzenk que aboliu o branco, cor preferida da cantora, e alegrou a coleção com motivos de sabiás, flores do campo, por-do-sol, pavão e flamboyans gigantes. Os desenhos foram recriados no jérsei, cetim, seda, triacetato, linho, malha prene, gaze de seda, entre outros tecidos nobres, e originaram série de vestidos, carro-chefe da coleção, calças tipo pijama, maiôs, blazers e até legging, que diga-se de passagem, conferiu contemporaneidade aos looks com aposta na sobreposição.

Dessa vez, o clima de romantismo arrefeceu a exuberante estamparia digital, traço marcante do trabalho do estilista, por conta da escolha da cartela pontuada por lima da terra,azul oceano, rosa flamboyan, cenoura e cáqui. Além disso, a aplicação de tule, elemento revelador de sensualidade, reforçou a ideia de fantasia uma vez que recortes estampados davam a impressão de ficar soltos sobre o corpo das modelos.

08 abril 2013

LP As forças da natureza


As forças da natureza': o 'manifesto ambiental' de Clara Nunes

Leonardo Guedes | 07/04/2013 
A preocupação mais mobilizada com a preservação ambiental e com os rumos que as inovações tecnológicas estavam tomando na humanidade começaram a tomar forma na década de 1970. Em 1977, a cantora Clara Nunes lançou um disco que pode ser citado como um exemplo de manifesto em defesa do meio ambiente e da paz. E de excelência autoral e instrumental também: "As forças da natureza", pela gravadora Odeon. O momento profissional de Clara era de continuidade de auge: as vendas de seus discos passavam da casa das cem mil cópias e, comercialmente, a artista ficou consagrada como a primeira cantora brasileira a superar um tabu da época no mercado musical brasileiro, o de que mulher cantando não era sinônimo de recorde de vendas. A produção de "As forças da natureza" esteve à cargo de Milton Miranda, Renato Corrêa e do marido de Clara, o compositor Paulo Cesar Pinheiro.
Pela primeira vez desde que começou a carreira, a cantora mineira não teve a imagem estampada na capa. Desta vez, o que estava presente era a foto de uma pedra sendo atingida por uma gota d'água, uma imagem que remete ao dito popular "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". A intenção artística reforça a mensagem de sintonia intensa com a natureza e a espiritualidade tão marcante na vida de Clara, cuja imagem estava presente na contra-capa, em saudação à imensidão do mar. A produção era aberta pela faixa-título composta por Paulo Cesar e João Nogueira, uma emocionada transcrição de um Apocalipse ao contrário: "Vai resplandecer / Uma chuva de prata do céu vai descer / O esplendor da mata vai renascer / E o ar de novo vai ser natural / Vai florir / Cada grande cidade o mato vai cobrir / Das ruínas um novo povo vai surgir / E vai cantar afinal...".
A sequência apresentou uma divertida denúncia sobre os tempos modernos e, ao mesmo tempo, uma homenagem à uma artista reverenciada: "Partido Clementina de Jesus", autoria de Candeia, que contava com a participação da citada. A música tornou-se uma espécie de "carteira de identidade" da Rainha Quelé, com o refrão "Não vadeia Clementina / Fui feita pra vadiar... Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou..." sendo uma das primeiras lembranças quando seu nome é citado. O termo "vadiar" na composição, ao contrário do que se possa imaginar, não tem o significado literal de desocupação ou vagabundagem, mas de "curtir" a vida com bom humor apesar dos pesares. O sucesso foi tanto que mereceu até uma paródia antológica de Renato Aragão e Mussum no humorístico "Os trapalhões".
Continua:

05 abril 2013

Clara homenageada nas passarelas


Minas Trend Preview tem line-up reduzido e 

homenagem a Clara Nunes




Documentos e fotos de Clara Nunes quando foi funcionária da Cedro Têxtil em Caetanópolis, nos anos 50 

02 abril 2013

Correio Braziliense - Clara ainda emociona os fãs



Após 30 anos da morte de Clara Nunes, a cantora continua emocionando os fãsMesmo depois de três décadas, Clara Nunes ainda é referência musical para novas gerações de cantoras



Publicação: 02/04/2013 07:30 Atualização: 01/04/2013 17:34
 (Wilton Montenegro/Divulgação
)


Há exatos 30 anos, o Brasil chorava a perda do canto imponente de Clara Nunes. A mineira guerreira, com vestido rendado, pulseiras, tiaras e farta cabeleira vermelha evocava as raízes africanas em seu samba, que sacramentou o poder feminino na música brasileira. Com o LP Alvorecer, ela foi a primeira mulher a ultrapassar a marca de 500 mil cópias vendidas. Sua interpretação e sua estética inspiram até hoje gerações de cantoras e parceiros antigos não cansam de reverenciar a diva que teria completado 70 anos em 2012. “Clara era a própria representação da força brasileira. Veio de uma pequena cidade mineira chamada Paraopeba e nunca perdeu a simplicidade e a humildade. Ela marcou a alma do povo pelo canto simples e pela maneira de ser”, afirmou Paulo César Pinheiro em entrevista feita em 2011. Viúvo da cantora, ele teve mais 20 composições gravadas por ela — hoje em dia prefere não comentar o passado.

Em Brasília, Clara também é fonte de inspiração. Artistas da cidade, como Ana Reis, Cris Pereira e Renata Jambeiro (veja o quadro) mantêm vivo o legado deixado pela estrela. “Ela continuou um trabalho começado por Carmen Miranda, ao falar de miscigenação, ter malícia, ser dona da letra, e principalmente, mostrar que mulher também podia vender disco”, diz Renata, que não abre mão de músicas da cantora no repertório.

Essa influência é nítida em todo o país. A cantora pernambucana Karynna Spinelli, dona de uma estética muito semelhante à da artista mineira, fez um tributo recente, em Recife, com duas mil pessoas na plateia e a participação do músico Jorge Simas, que acompanhou Clara. “Toda a história dela me sensibiliza e emociona, mas escolho, em especial, a honra e a coragem de falar do candomblé. Em dias de intolerância religiosa forte no Brasil, ela é uma das minhas inspirações para falar de religião. Sinto-me livre e sem amarras para cantar a força dos espíritos e dos orixás com minha música”, conta Karynna.

No Rio de Janeiro, a memória de Clara pulsa nas obras de antigos parceiros. Delcio Carvalho teve sua história transformada pela cantora e acabou mudando o curso da carreira dela também: ele é o compositor da música Alvorecer. “Depois, Clara gravou Derramando lágrimas. Cheguei a mostrar Sonho meu (criada com Dona Ivone Lara), mas achei que ela não tinha gostado. Sorte que Maria Bethânia estava procurando algo para gravar, gostou e a música acabou acontecendo (risos). Com exceção das que já nasceram na tradição, como Elza Soares, Clara foi a maior cantora de samba do país”, lembra o sambista carioca.

Material raro

As homenagens a ela nunca cessaram, mas ganharam fôlego com a proximidade do septuagésimo aniversário. Em janeiro de 2011, o projeto Contos de Areia — 70 Anos de Clara Nunes reuniu músicos no CCBB Brasília para revisitar a obra da artista. Na Sapucaí, o enredo de 2012 da Portela foi “... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual”, saudando a Bahia e Clara. Em dezembro, o Canal Brasil exibiu uma série com depoimentos de amigos e familiares, primeiro episódio de uma sequência de tributos organizados pelo jornalista Vagner Fernandes, autor da biografia Clara Nunes — Guerreira da utopia.

“O objetivo da série Clara era traçar um panorama da trajetória da Clara artista e da Clara mulher. Mas tínhamos o tempo como limitador. Há muito o que se falar sobre ela, então a série será ganhará materiais extras antes de chegar aos cinemas”, conta Fernandes. Além do filme dirigido por Darcy Burger, o biógrafo revisou os 16 álbuns da cantora — que serão relançados em formato avulso e em box — e reeditou o livro lançado em 2007 e há um ano e meio esgotado nas prateleiras. “É uma edição revista e ampliada. Quero incluir informações como o encarte todo em japonês de um programa que ela participou naquele país, e áudios inéditos”.

Entre essas raridades estão as gravações do show Sabor bem Brasil, em que Clara canta ao lado de Luiz Gonzaga, João Bosco, Waldir Azevedo e Altamiro Carilho; da apresentação em Abidjan (Costa do Marfim) com João Nogueira; e dos ensaios do show Sabiá, sabiô, com direção de Hermínio Bello de Carvalho. Os materiais são do técnico de som Genival Barros, que trabalhou com a artista mineira e hoje faz parte da equipe de Roberto Carlos. “Fui buscar outra gravação com o Genival, quando ele disse que teria algo melhor do que eu procurava. Isso foi no fim de 2011. Sabiá, sabiô tem músicas que não faziam parte da discografia oficial dela, como Quando o carnaval chegar, de Chico Buarque”, diz Fernandes.

Assim como os projetos anteriores, uma exposição dedicada à cantora está prevista para o segundo semestre deste ano. A mostra acontecerá no Rio e terá vídeos, áudios e imagens inéditas. “Quero contar de fato quem foi Clara Nunes. Dar a Clara o que ela merece. Ela é uma das maiores cantoras do Brasil. E digo no presente porque 30 anos depois ela continua sendo lembrada. Clara e sua obra são atemporais”.


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