Blog Clara Nunes

29 junho 2012

Fotos para o LP de 1980

  Belíssima série de fotos para o LP Brasil Mestiço de 1980. 
Clara na Serrinha com Vovó Maria Joana.





Memorial Clara Nunes - obras




Os deputados: Rodrigo de Castro e Célio Moreira em visita à Casa de Cultura
 Clara Nunes-Caetanópolis-MG

A cidade de Caetanópolis-MG, terra natal de Clara Nunes prepara-se para a inauguração do Memorial em sua homenagem. Recentemente recebeu os políticos em visita às obras que estão sendo feitas para a grande inauguração no dia  12 de agosto próximo, data festiva que se comemora o aniversário da mineira no Festival Cultural Clara Nunes, sétima edição.


Deputado Rodrigo de Castro, dona Mariquita, deputado Célio Moreira e prefeito de Caetanópolis, Romário Vicente, em visita à casa onde nasceu Clara Nunes, na Rua Cel. Victor Mascarenhas





    Em visita ao Memorial Clara Nunes acompanhado de Maria Gonçalves (Dindinha) irmã de Clara

O Memorial 

26 junho 2012

Lindo texto / contribuição : Iraciran Soares


A ASCENSÃO DE UMA GUERREIRA

A luminosidade que envolvia o planeta naqueles dias que antecederam a volta de Clara ao plano espiritual oscilava tais o brilho de pós de cristais da areia da praia. Os Orixás preparavam-se para recebê-la. Oxumaré ligara as pontas de um imenso arco-íris azul e branco num pólo a outro da terra, que interligavam as cores rubras das auroras boreal e astral criando furta cores que homenageavam a todas as escolas de samba.   Sereias choravam copiosas lagrimas sobre as pedras litorâneas formando volumosas marés altas, sem que antes ocorresse a brisa amena que antecede a preamar. Fora preciso Iemanjá serenar o Mar regendo seu equilíbrio, pois parecia querer emergir o mais alto possível suas águas para alcançar Clara que volitava sorrindo e cantando; levando a crer que queria resguardá-la para si e fazê-la a mais linda sereia.
Nos terreiros, sons inaudíveis e dolentes de tambores lançavam pelos ares um pulsar compassado e dorido, tais batimentos de corações em despedida. Só Oxum e Iansã sorriam; Pois logo mais teriam nos anéis de seus dedos, a pedra mais CLARA, mais brilhante, mais diáfana de todo universo.

Mães e pais de Santo recitavam no idioma Bemba os encaminhamentos balbuciando-os com o corpo cataléptico, transfigurados, desumanizados, fitando com suas pupilas inertes e umedecidas de lagrimas vivas, o corredor de estrelas que se precipitavam sobre a terra.  As forças da natureza em vão tentavam mantê-la aqui. O curso das quedas d’águas das cachoeiras desafiava a lei da gravidade projetando-se, soerguendo-se para o alto, fundindo-se com as nuvens, mesclando os vapores brancos das águas a alma clara de CLARA.  Porém, a mística da oração dos Babalorixás os fazia vislumbrarem Ogum com sua espada quebrando as correntes materiais que prendiam a Guerreira a mundanalidade da terra, fazendo cumprir a missão pré-estabelecida.

Naquelas noites de vigília, o canto das Iaras nunca fora tão dolente e ungido pela saudade. As notas musicais destas canções eram tão concretas e palpáveis que invadiam as matas ondulando as copas das árvores, abalroando nos troncos fazendo-os vibrarem em ecos soturnos até cafurnar-se nos mistérios insondáveis das eternas noites das florestas fechadas de Oxóssi. Os acordes sofríveis vibravam encrespando angustiosamente as águas do Amazonas, que no alcançar do Oceano se propagavam até o além mar chegando às praias da mãe África, sonorizando-as com notas musicais úmidas de dor, enquanto os caboclos ribeirinhos ouvindo-as aproveitavam para compor a percussão com seus atabaques, a letra da canção carregada de lirismo das mães das águas em ritmo de cirandas nostálgicas.

Um lamento triste ecoou depois que Xangô formara um imenso coração incandescente com os raios de sua espada que alcançavam todo sistema solar saudando a volta de Clara à casa do Pai Oxalá. O rufar dos atabaques e tambores ficaram mais pungentes e logo são superados pelo som das trombetas de Arcanjos e Querubins, que a conduzem, e fazem sutilmente Clara adentrar no corredor das estrelas fazendo-a contornar levemente seu diâmetro de luz. O seu lindo olhar de lince alumiava o percurso estrelar. Seu corpo espiritual levitava ritmicamente aos acordes dos sons divinos voando triunfante sobre a morte, esbanjando seu sorriso retilíneo de jubilo intenso e claro como sua alma que rumava aos confins do sem fim.
E nós, nas noites de turbilhões de estrelas, tentamos verte. Pois os Orixás já nos confessaram que teu brilho é quem alumia todas elas.


A ASCENÇÃO DE UMA GUERREIRA   ( PARTE II )
... Fora a madrugada mais longe de um dia em que o criador recolhera os raios do sol. As últimas cintilas do corredor de estrelas que envolvera e embarcara CLARA, fundia-se ainda misteriosamente com o luar de uma lua tímida. Um universo de sentimento de perca abrangia toda a terra. Ventos corrupiana desciam de sua latitude desafiando a luz da chama mansa das velas nos altares dos santos no Congá dos terreiros. A letra inconsolável de uma melodia suave e triste de um prelúdio, sob a regência de um Sabiá insone, preconizava: “UMA LONGA CURTA VIDA PARA QUEM TANTO VIVEU”...

Na mata, ainda em êxtase, um Uirapuru, o Menestrel das Florestas, tentava libertar seu cantar. Afinal, era preciso acordar a natureza de um súbito sono letárgico, solidária talvez com a indolência extrema de Clara, compartilhando mutuamente a insensibilidade de seus sentidos pelos efeitos letais do anestésico que calara a voz de quem tanto a exaltara. A lendária ave sacode a penugem, ergue a pequenina fronte para a solidão das derradeiras estrelas matutinas que vagueiam sobre a barra da aurora, que vermelha de pêsames, tenta romper as angustiosas trevas daquela madrugada infinda. Equilibrando-se no último galho da Palmeira, fixa o brilho de suas pequenas retinas no trajeto iluminado e apresado de uma imensa ESTRELA CADENTE no seu viajar açodado e incandescente que alumiara os mares e os continentes rasgando as entranhas do infinito, partindo quem sabe para CLAREAR as noites de outro apartado céu!... E afluir nas festas celestiais, quando os astros ponteiam alucinados no firmamento, para o eco de sua voz CLARA fazer vibrarem os carrilhões de estrelas de remota galáxia.
O mar ainda envolto na parda penumbra, porém, já serenado por Iemanjá, esperava o alvorecer que se recusava a nascer. Navegava ainda na proa das ondas o soluçar das últimas preces intercessoras do povo pedindo a permanência de CLARA entre nós.

E no âmago do mar de lágrimas de nossa alma navega a deriva um oceano de interrogações:__ Em quais colinas de Oxossi se esparrama seu sorriso? Qual amanhecer de longínqua terra se reveste o seu cantar?... Acordando os Orixás, despertando as energias adormecidas no ventre de Iansã cantando cirandas de praia.
Passaram-se sete luas cheias. Subiram varias marés e a vazante de tristeza ainda inundava as tendas dos terreiros, onde os velhos Babalorixás apoiavam-se em suas bengalas seus corpos senis e sua desmedida saudade. Desabafavam aos Deuses o tamanho de seus pesares que digladiavam com a rudeza dos embates cruciantes do mundo real. O silencio ensurdecedor que incorrera sobre o intimo de suas almas revestiu sua pele negra num eterno luto. Suas áureas brancas evocam em misteriosos diálogos de linguagem intraduzível para uma esfera espiritual de seres místicos que só os vêem e os ouvem quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir. Os ruídos mundanos não os tiravam de sua bi-locação. Porém, de repente são envolvidos por um OLOR de um hálito quente de um PERFUME FEMININO a aflorar-lhes num abraço a pele escura, revitalizando seus corpos decrépitos. A sutil presença, palpitante de vida, recendia o perfume ocre da terra. O fremido e o rastro do vento provocado pelo rodar de seu vestido branco enfeitado de rosas e rendas varriam do terreiro as dores que fugiam silenciosas. Aquele instante fugaz de um beijo espiritualizava a natureza e confundia a mediunidade centenária dos Barbarolixás que se entreolham a perguntar-se, se estão a pisar no céu ou na terra. Seus corações sentiam um misto de alegria e de dor. A MORTE E A VIDA se confraternizavam naquele instante fascinante de um abraço enlaçado por dedos longos e finos enfeitados de anéis a tocá-los enternecidamente. CLARA se compadecera, quando do alto da mais alta colina de Oxossi volveu a terra seus inquietos olhos, de mirar indefinido pelo leve estrabismo, que lhes dá um ar de misteriosa e sedutora Deusa.

__ Fica iaiá entre nós, pelo menos o tempo de vida que tem uma flor!
Um sorriso “SÁBIO” do tamanho da amplidão dos mares fora a resposta. O brilho cintilante das pedras de topázio nos anéis irisava ao seu redor formando um circulo translúcido, ofuscante, de brilho mais intenso que a luz do sol, transfigurando-a... E com os lábios quase a falar refizera o percurso espiritual com a alma aspirando à eternidade. A festa nos olhos daqueles anciões naquela manhã banhada pela fragrância mística, infelizmente por ENQUANTO para nós ainda se afigura numa saudade imensa.

IRACIRAN SOARES.





18 junho 2012

Teatro: Clara Luz !







abiano Medeiros canta Clara Nunes


Brasil - São Paulo - Fone: (0xx11) 2619 8569 - 
Um clima místico
 irá tomar conta de você.


O espetáculo “Clara Luz” do cantor Fabiano Medeiros é um tributo a uma das maiores intérpretes do nosso país, Clara Nunes. O show vem louvar não só a poesia, mas também a espiritualidade de Clara Nunes através das principais músicas que marcaram sua carreira. Fabiano traz algumas releituras e muitas homenagens aos grandes sambas imortalizados por Clara, como "O Mar Serenou", "Portela na Avenida", "Alvorada no Morro" e "Apesar de Você". 


 

Novo musical





|   Rio, 18 de junho de 2012
A história de Clara Nunes (1942-1983), a grande cantora, vai virar musical. É um projeto da produtora paulista Dona Sinhá para celebrar os 70 anos de nascimento de Clara, em agosto próximo. A empresa foi autorizada a captar R$ 1.576.750,00 pela Lei Rouanet.

15 junho 2012

Parceria musical



Veja quem descobriu Clara nos anos 60

Jadir Ambrósio 

"Clara Nunes! Oh, que mulher importante, talentosa, uma guerreira do samba, 
e para a nossa sorte era mineira".

Mineiro de Vespasiano, ele nasceu em 8 de dezembro de 1922 e veio para a cidade onde passaria a vida inteira ainda menino, quando a família se mudou para Belo Horizonte em março de 1926. O endereço de Jadir Ambrósio, na esquina da Rua Clara Nunes, não é puro acaso. Na verdade, o batismo da rua foi sugestão dele, que insistiu muito com a Prefeitura. Até que, há poucos anos, Clara Nunes passou a ser o nome da rua. 


"Eu conheci a Clara Nunes quando ela chegou numa festa que eu fazia no adro da igreja Santo Afonso, aqui no bairro. Ela era ainda quase uma criança, tinha uns 16 anos, e tinha vindo de Caetanópolis para trabalhar como operária na Fábrica de Tecidos Renascença, que não existe mais. Aí eu soube que era vizinho dela. Quando ela cantou foi um acontecimento, e depois a gente acabou ficando muito amigo daquela moça tão talentosa. Fui eu quem a levou para as primeiras participações nos programas de auditório. Foi assim que apareceu a Clara Nunes", conta, emocionado.

Clara retribuiu a força que impulsionou sua carreira como cantora gravando músicas de Jadir Ambrósio nos primeiros discos e depois, quando estava no auge da fama, nas décadas de 1970 e 1980. "Clara gravou várias de minhas composições. A que fez mais sucesso na voz dela foi 'Noites de Farra'", recorda, cantarolando um trecho. Com Jadir Ambrósio, a música está sempre presente para ver a vida com mais otimismo. 
continua:
http://semioticas1.blogspot.com.br/2012/02/antigos-carnavais.html

13 junho 2012

João Nogueira ganha centro cultural no Rio de Janeiro

Diogo Nogueira inaugura Imperator-Centro Cultural João Nogueira

O prédio do antigo cinema, que já abrigou uma casa de shows, foi totalmente reformado pela prefeitura em uma obra que custou R$ 28 milhões e durou 18 meses. São três pisos e um terraço abrigando foyer para 200 pessoas, café, casa de espetáculos/teatro para 607 sentados ou 1.250 em pé, três cinemas com um total de 408 lugares, salas de exposição para até 100 pessoas, terraço/jardim para até 150 pessoas e restaurante com 160 lugares. Coisa de primeiro mundo mesmo! Tomara que o poder público não descuide da manutenção deste maravilhoso centro cultural, que fica bem no coração da Zona Norte do Rio de Janeiro.
 (mais detalhes no link :
http://oglobo.globo.com/blogs/blogdebamba/posts/2012/05/16/quer-saber-mais-sobre-centro-cultural-joao-nogueira-olha-aqui-445478.asp.





06 junho 2012

Vem aí o Festival 2012 -Clara Nunes


Breve traremos a programação do Festival Clara Nunes a ser realizado em Caetanópolis-MG, em agosto de 2012. No dia 12, aniversário de Clara será inaugurado oficialmente o Memorial Clara Nunes, com transmissão ao vivo pela Rádio Itatiaia , Programa Acyr Antão à partir das 09:00hs . No dia estará presente amigos, familiares, fãs, políticos e artistas que conviveram com a mineira homenageada todo ano pela sua cidade natal. 

Na Portela


Clara Nunes - placa comemorativa do LP 'Forças da Natureza' na quadra da Portela  

28 maio 2012

Clara ganha nome de viaduto no Rio





Mergulhão Clara Nunes será trecho da Transcarioca

Comemorando os 399 anos do bairro de Madureira, o prefeito Eduardo Paes inaugurou dia 25 o  Mergulhão Clara Nunes e a duplicação do Viaduto de Madureira. O mergulhão é a primeira obra concluída da Transcarioca, corredor expresso que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador.

http://www.mancheteonline.com.br/mergulhao-clara-nunes-e-inaugurado-em-madureira/

Clara em fotonovela



Revista Sétimo Céu nº 161 - Bloch Editores
Acervo: José Henrique Uessler
Atendendo o pedido de Aninha-RS
para o Blog Revista Amiga 

Leia no site:


FOTONOVELA COM CLARA NUNES - CONTINUAÇÃO. SÉTIMO CÉU Nº 161 - BLOCH EDITORES
revistaamiga-novelas.blogspot.com/.../fotonovela-com-clara-n...



 




Memória do Rádio


Viva o rádio: morte de Clara Nunes


Em edição extraordinária de O Globo no Ar de 2 de abril de 1983, o locutor Luis Lopes Correia anuncia a morte da sambista
Ouvir

Destaques

    Segunda-feira, 21 de maio de 2012

15 maio 2012

arte

Clara
                                                           
  Arte: Ilvan Filho

Blog Veja Abril


26/04/2012 Veja Abril


Encontro de gigantes: Clementina de Jesus e Clara Nunes, há 35 anos




                                                 Foto histórica (infelizmente sem crédito ou data disponíveis): 
                         Clara e Clementina entre a dupla Nana Caymmi e Elizeth Cardoso e ele, Chacrinha

Por Daniel Setti

Elas tinham vozes diametralmente opostas. Clementina de Jesus (1901-1987), com seu potente e grave gogó de trovão, parecia uma prima perdida de Nina Simone que nascera por acaso em Valença, no estado do Rio de Janeiro; não menos inconfundível, o timbre da mineira de Caetanópolis Clara Nunes (1942-1983) emanava uma doçura mais, digamos, comercial.
Mesmo assim, as duas divas combinavam quase à perfeição. Tanto é que colaboraram em mais de uma ocasião. A primeira de destaque foi em gravação da deliciosa “PCJ (Partido Clementina de Jesus)”, composição-tributo de autoria do lendário sambista Antônio Candeia (1935-1978) interpretada por ambas no disco Forças da Natureza, lançado por Clara em 1977.
Embora seja coroada pelo despretensioso e irresistível refrão “não vadeia (sic) Clementina”, a letra da música se envereda curiosamente pela ecologia, em versos como “cadê o cantar dos passarinhos?/ar puro não encontro mais não”.
Dois anos depois, seria a vez de Clementina convidar a amiga para participar de seu álbum de duetos intitulado simplesmente Clementinana faixa “Embala Eu”, de Albaleria. Entre os outros ilustres que dividiram o microfone com ela na ocasião estiveram João Bosco e Martinho da Vila.

11 maio 2012

Clara em Paraopeba

O blog publica esta bela foto de Clara Nunes do acervo pessoal de Vanessa Edmundo, uma das crianças que participaram da homenagem à Clara na Prefeitura de Paraopeba-MG, no ano de 1976. Na ocasião em 1º de julho a cidade mineira foi palco de homenagens à filha ilustre da região com uma apresentação única em sua carreira. 

30 abril 2012

João Nogueira é homenageado e Clara Nunes é lembrança constante no Samba Book




Maravilhoso projeto em homenagem à João Nogueira, lançado em abril contempla também Clara Nunes, em várias composições antológicas gravadas por ela ao longo de sua carreira. O especial do Canal Brasil, exibido ontem 28 de abril abre a série de shows que irão percorrer o Brasil. O blog traz algumas dessas canções que sem dúvida homenageiam Clara , amiga e madrinha do querido João Nogueira. 
Parabéns aos idealizadores do Samba Book que emociona e nos faz lembrar de Clara Nunes!



O grupo Revelação canta: Mineira

Mariene de Castro canta: Um ser de Luz


As homenagens de João Nogueira ao eterno Sabiá

João e a cantora Clara Nunes tinham uma relação de amizade muito forte, tanto que ela foi até madrinha de sua filha.  O lado profissional também se cruzava frequentemente, ela gravou muitas músicas dele e foi tema inclusive tema de algumas. Duas dessas estão no Sambabook João Nogueira: Mineira , Um Ser de Luz. A última foi escrita em parceria com o marido da cantora, Paulo César Pinheiro, e Mauro Duarte logo após a sua morte, uma homenagem final dos autores que Clara mais gravou.
Ainda fazem parte do CD "As forças da Natureza e Minha Missão" ambas composições de João Nogueira e Paulo César Pinheiro gravadas por Clara Nunes.
No Sambabook quem ficou responsável por cantar esse tesouro foi a revelação Mariene de Castro, que acabou de lançar seu 3º álbum de trabalho: Tabaroinha. A cantora que começou de fininho nos vocais de apoio do Timbalada, já conquistou o público europeu e agora ganha mais espaço no mercado musical brasileiro.



Seu Jorge canta: Minha Missão


Teresa Cristina canta: As forças da Natureza


25 abril 2012

Revista Espirita de Umbanda


  • Marcos Aurelio Silva Pereira (Contribuição)
    Além de trazer assuntos Temáticos como Cursos Curiosos como " A mediunidade na UMBANDA e a diferença do Campo Vibratório entre Médiuns de Mesa ( kardecismo) e Médiuns de Terreiro ( Umbanda) , Congressos , Fatores Históricos Culturais , A Umbanda e o Meio Ambiente ( Oferendas ja são Levadas a Compostagem Orgãnica para não Agredir o Meio Ambiente) , a REVISTA Trás Também Matéria Especial Sobre Os 70 Anos de CLARA NUNES em 2012.
    Vale Muito à Pena Conferir , Leigos e Adeptos.


    Contribuição: Ana Vieira-RS
    Blog Clara Nunes Deusa dos Orixás
    www.claranunesdeusadosorixas.blogspot.com

16 abril 2012

Peça gráfica

                                                      Design gráfico: Bernardo Giron

Recebemos por e-mail:

Gostaria de dividir com o blog "Voz de Ouro" um trabalho que terminei de fazer para a faculdade (Design Gráfico) e que servirá para avaliação de semestre. Os 70 anos de Clara, e o conjunto de sua obra, mereciam um Disco de Ouro especial de verdade!


Também reservei para Claridade uma postagem em meu blog:
http://metaldiscoide.blogspot.com.br/2011/12/operaria-da-cancao.html


Espero que apreciem e esteja à altura do gigantismo da nossa tão amada Clara Nunes.
Bernardo Giron


(Caro Bernardo, seu bonito trabalho bem que poderia estampar um CD comemorativo.
Parabéns.


10 abril 2012

Matéria completa da Revista Encontro

Ela nasceu e viveu para cantar


No ano em que completaria 70 anos, a cantora Clara Nunes será homenageada em sua terra natal e terá todos os seus discos relançados

Por João Paulo Martins
Fotos: Cláudio Cunha/Reprodução

Clara Nunes foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 150 mil discosclique para ampliar“Filha de Angola, de ketu e nagô, não sou de brincadeira”. Assim Clara Nunes, a cidadã mais ilustre de Caetanópolis, pequena cidade da zona metalúrgica de Minas Gerais, é descrita na música Guerreira, composta por João Nogueira. Alguns versos depois, ficamos sabendo que ela é “filha de Ogum com Iansã”, ou seja, é protegida por esses orixás, que equivalem a São Jorge e Santa Bárbara, respectivamente, no sincretismo com a igreja católica. O candomblé, de origem ketu, virou sua marca, principalmente nas roupas que usava, e combinou perfeitamente com o ritmo que a consagrou: o samba. Neste ano, em comemoração aos 70 anos de nascimento de Clara, ela ganhará um memorial em sua cidade natal e sua obra será lembrada na TV, em documentário do Canal Brasil, e sua discografia completa, com 16 discos, será reeditada.

No dia 12 de agosto de 1942 nascia Clara Francisca Gonçalves, no pequeno distrito de Cedro, que mais tarde viria a ser a cidade de Caetanópolis, a 96 km de Belo Horizonte. Sua infância simples não impediu que o sonho de ser artista se tornasse realidade. Criada pelos irmãos mais velhos, Maria Gonçalves, conhecida como dona Mariquita, e José Gonçalves, Clara sempre gostou de cantar, inspirada principalmente pelas grandes cantoras de rádio da época, como Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira. Mas a música também estava em seu DNA, já que o pai, Manoel Pereira de Araújo, o Mané Serrador, além de funcionário da fábrica de tecidos da cidade, era um violeiro em folias de rei.

“A gente dizia que Clara já nasceu cantando. Com 4 anos, ela cantava na escola e em casa de parentes. Lembro que todos comentavam como ela não errava o ritmo”, conta dona Mariquita, irmã mais velha da artista e também sua mãe de criação. Aos12 anos, Clara ganhou seu primeiro concurso de música, realizado no prédio que abrigara o cinema da cidade, cantando o bolero paraguaio Recuerdos de Ypacaraí. Como prêmio, ganhou um vestido azul-claro, o que para uma menina pobre significava muito.
Hoje, o lugar de seu primeiro passo para o sucesso abriga um centro de cultura que leva seu nome e oferece diversas atividades para a comunidade, incluindo dança, canto e teatro. A parede é repleta de imagens da cantora mineira, e, como lembrança, foi construído um palco igual ao que ela se apresentou. “A criação da casa de cultura é válida porque foi nesse lugar que ela mostrou que nasceu para cantar”, diz dona Mariquita.

Além da música, a menina pobre que sonhava cantar para as multidões era apaixonada por bonecas. Como sua família não tinha condição de comprar as que estavam na moda, a avó fazia versões de pano, que eram muito bem tratadas pela pequena Clara. A coleção cresceu com o tempo, e mesmo com a carreira já consolidada, ela não deixava de dormir cercada de suas lembranças da infância. Um dia, porém, tomou uma iniciativa nobre: doou todas as bonecas para um orfanato da cidade do Rio de Janeiro. “Ela só ficou com uma boneca preta, que guardo até hoje”, lembra a irmã.

As crianças também estavam nos planos de Clara Nunes. Ela sempre quis ser mãe, mas problemas no útero impediram que realizasse esse sonho. No entanto, ela confidenciou à irmã, no Natal de 1982, pouco antes de sua morte, que queria acabar sua carreira tomando conta de uma creche. Mariquita guardou, então, essa confidência na memória, e quatro anos depois inaugurou o espaço, que comporta 60 crianças, em Caetanópolis. Claro que o nome dado ao lugar não poderia ser outro, senão o da cantora.

“Eu conheci Clara quando tinha 14 anos; ela se apresentava na Rádio Inconfidência e ganhou o concurso Voz de Ouro ABC”, conta o radialista Acir Antão. Pouco tempo depois, ele também passou a trabalhar como locutor e se tornou amigo da cantora. O laço que os aproximou não seria outro, senão o samba: “Eu já estava engajado em tocar sambas, no início dos anos 1970. E quando ela cantou Você Passa, Eu Acho Graça, de Ataulfo Alves, foi um grande sucesso. A partir daí nos tornamos amigos, e quando vinha a BH, ela sempre participava de meu programa”.
A capital mineira foi o marco para que a carreira de Clara Nunes decolasse. Participou de diversos concursos, e quando trabalhava para a Inconfidência, levada por um dos principais locutores da época em Belo Horizonte, Aldair Pinto, mudou o sobrenome Gonçalves para o que conhecemos hoje. Além disso, foi cantando nessa rádio que ela conheceu e se engraçou com Aurino Araújo, irmão de Eduardo Araújo, um dos grandes nomes da Jovem Guarda. Como nessa época os grandes cantores só emplacavam quando se exibiam no eixo Rio-São Paulo, Clara foi levada por Aurino para a terra de Vinícius de Moraes.o a sorte caminhava a seu lado, em um concurso levou como prêmio um contrato com a gravadora EMI-Odeon, e este foi o impulso que faltava para seu sucesso nacional e internacional. “Hoje, não temos quase nada interessante sendo lançado na música brasileira. Antigamente, uma gravadora lançava não apenas um artista, mas uma leva deles de uma só vez. Por exemplo, quando saía um disco de Clara Nunes, tínhamos também o de Roberto Ribeiro, Paulinho da Viola e Gonzaguinha”, explica Acir Antão.

A menina de Caetanópolis, órfã aos 6 anos, trilhava agora um caminho que não teria mais retorno, ou seja, o da fama. A vida proporcionava encontros e desencontros, que ajudaram a formar sua carreira. “Quando Clara veio ao Rio para participar de um festival de música da TV Record, ainda era desconhecida, e a gente se olhou, gostou um do outro e começamos a ter um affair”, revela o cantor Jair Rodrigues. Nessa época, ele fazia shows acompanhado do grupo Originais do Samba, e, quando foram excursionar pela América Latina, aproveitou para levar a cantora mineira junto.

Naquela época, Clara apresentava músicas românticas, principalmente boleros, e segundo Jair Rodrigues, foi numa apresentação no Uruguai que ele a chamou de lado e falou: “Escuta bem, o dono do restaurante pediu que você cantasse samba”. Ela disse que gostava do ritmo, mas não sabia cantar. “Chamei o grupo num salão e passei para ela músicas, como Mas que Nada e Amélia. Para finalizar a história, arrasamos juntos, Jair, Originais e Clara Nunes”, completa o cantor.

"Nossa maior conterrânea foi o caminho para mudar o rumo da cidade,
por meio do turismo cultural”


Pouca gente sabe dessa história, pois o que ficou na lembrança foi a mudança na carreira da cantora mineira depois que passou a gravar samba. Até 1969, seus discos com músicas românticas fracassavam nas lojas. Em 1971, com o lançamento do LP Clara Nunes, da EMI-Odeon, bateu um recorde para a época: vendeu mais de 150 mil cópias. “Havia uma lenda de que mulher não vendia disco, muito menos ultrapassar a vendagem de cantores como Roberto Carlos. Mas Clara foi a pioneira”, explica o radialista Tutti Maravilha. Seu primeiro contato com a mineira que cantava samba foi a partir do musical Brasileiro: Profissão Esperança. Ele trabalhava na produção, junto da grande cantora Bibi Ferreira. No palco, Clara Nunes, vivendo uma de suas divas, Dolores Duran, dividia as cenas com o grande ator Paulo Gracindo. “Ela era muito simples, não tinha estrelismo nenhum”, lembra Tutti, elogiando um dos principais traços que a cantora nunca perdeu em sua carreira: a simplicidade. Para o radialista, ela faz muita falta para a música brasileira, por ter sido uma cantora única, com timbre e capacidade vocal imbatíveis até hoje.
Entre os principais sucessos entoados por Clara Nunes, destaque para Conto de Areia, Feira de Mangaio, Morena de Angola, Canto das Três Raças e Portela na Avenida. Esta última, aliás, é o maior símbolo da paixão da cantora com a escola de samba carioca, que, no carnaval de 2012, levou para a avenida uma homenagem aos 70 anos da “mineira guerreira”. A letra de Portela na Avenida, uma exaltação à escola azul-e-branco de Madureira, é de autoria do compositor Paulo César Pinheiro, que, além de ser responsável pelos sucessos de Clara, acabou se tornando seu marido.


“Éramos duas pessoas fazendo música. Nosso trabalho não tinha a ver com nosso relacionamento. Eu sempre entregava as músicas que ela gostava”, conta Paulo César Pinheiro, que também é músico e poeta. A parceria rendeu nada menos que 30 composições. Para ele, a mineira ficou marcada pelo simbolismo do candomblé, em especial por suas roupas brancas e balangandãs, e é a cantora que melhor representa a religião afrobrasileira. “A música O Canto das Três Raças eu fiz para mostrar a formação do povo brasileiro, ou seja, a mistura de índio, negro e europeu”, explica Paulo César.

Com uma obra tão singular, a grande cantora mineira não poderia ter seu aniversário esquecido. Em sua terra natal, Caetanópolis, em agosto, durante o Festival Clara Nunes, evento que acontece há sete anos, será inaugurado um memorial, espécie de museu, onde o público poderá conhecer suas roupas, acessórios, prêmios, fotos e objetos religiosos. “Procuramos trazer artistas que têm a ver com ela”, explica o prefeito Romário Vicente Ferreira. Ele conta que a primeira edição do festival, em 2006, não contou nem com 500 pessoas, mas foi o ponto de partida para mostrar à cidade a importância da conterrânea famosa.

Após palestras e oficinas sobre Clara, a população começou a reconhecer sua relevância, e, na quarta edição, com o show da Velha Guarda da Portela, o festival se consolidou. “Foi aí que percebemos que nossa maior conterrânea seria o caminho para mudar o rumo da cidade, por meio do turismo cultural”, diz Romário Ferreira. Além da festividade em Caetanópolis, os fãs da cantora mineira serão presenteados com a reedição de seus 16 álbuns lançados pela EMI-Odeon, que virão reunidos num box, e também vendidos separadamente. A previsão é que esteja à venda ainda no primeiro semestre deste ano. Outra opção para quem quer conhecer melhor a carreira e a vida de Clara é um documentário que está sendo produzido pelo Canal Brasil e trará depoimentos de artistas e nomes importantes que passaram pela vida da cantora. Ainda não existe nome nem data de estreia, mas tudo indica que irá ao ar ainda em 2012.

“Eu não gravo para vender. Eu gravo letras maravilhosas, de compositores excepcionais e mensagens extraordinárias, para fazer com que o público que ainda não está bem entrosado com a MPB se volte mais à raiz de nossa música”, contou Clara Nunes, em entrevista à extinta TV Manchete, no final dos anos 1970. Somado à música, o espiritismo foi um fio condutor de sua vida. A família, que era muito católica, se converteu para o kardecismo após a perda dos pais. A cantora, que ainda era apadrinhada do candomblé, procurou sua mãe de santo antes de fazer uma cirurgia de varizes, em 1983. Não seguiu a recomendação de deixar de lado essa ideia, e no dia 2 de abril daquele ano, o Brasil perdia, há exatos 29 anos, uma de suas grandes artistas, devido a um choque anafilático provocado pela anestesia. “Sou uma pessoa muito mística. Sou supersticiosa. Acredito nos orixás, em oxalá. Está dentro do meu coração, da minha alma. Acho que todo brasileiro é supersticioso, devido à mistura de raças”, explicou Clara, em conversa com a jornalista Leda Nagle, no Jornal Hoje, da TV Globo, do início dos anos 1980. E a profecia se cumpriu.