Blog Clara Nunes

02 abril 2013

Revista Época-m30 anos sem Clara Nunes


CLARA NUNES - 02/04/2013 07h00
TAMANHO DO TEXTO

Trinta anos sem Clara Nunes

Cantora ainda é celebrada como uma das maiores representantes da música popular brasileira. Baú da artista guarda raridades, como o áudio de um show feito em Abdijan, na Costa do Marfim

DANILO CASALETTI
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Clara Nunes (Foto: Paulo Wrencher / Agência O Globo)

Clara Nunes não gostava de ser chamada de sambista. Embora essa imagem persista 30 anos após a sua morte, completados nesta terça-feira (2). E, realmente, Clara era muito mais que isso. “Ela detestava o termo sambista. Achava-o reducionista. Ela se considerava uma intérprete da MPB”, diz o jornalista Vagner Fernandes, autor da biografia Clara Nunes – Guerreira da Utopia(2007).
Clara nasceu em Caetanópolis, em Minas Gerais, em 1942, e começou sua carreira no final da década de 50 cantando em estações de rádio de Belo Horizonte. Em 1966, gravou seu primeiro disco, A voz adorável de Clara Nunes, com sambas-canção e boleros. A gravadora Odeon (atualmente EMI), na qual Clara gravou todos os seus discos, queria que a cantora fosse uma espécie de Altemar Dutra – cantor romântico de sucesso na época – de saias.
Mas Clara conseguiu escapar da armadilha de seguir uma receita para alcançar o estrelato. No início da década de 70, com apoio do produtor Adelzon Alves, reinventou-se como artista. Com o samba “Você passa e eu acho graça”, de Carlos Imperial e Ataulfo Alves, inaugurou uma nova fase na carreira. Essa sim, de muito sucesso. Em entrevista ao jornal O Globo, em 1973, a cantora declarou: “Eu não tinha alguém que ouvisse os meus planos e aceitasse as minhas pesquisas. Ele (Adelzon) ouviu, me deu o apoio necessário”, disse.
Nas “pesquisas” de Clara estava o resgate de compositores como Candeia, Cartola e Nelson Cavaquinho e, na segunda metade da década de 70, um mergulho nas raízes afro-brasileiras. “Ao longo de sua trajetória, Clara provou que podia cantar muito bem diversos compositores, como Luiz Gonzaga, Chico Buarque e Vinicius de Moraes, além de diversos ritmos”, diz Vagner Fernandes.
Um dos registros que ilustra muito bem a pluralidade de Clara é o CD O poeta, a moça e o violão, gravação do show que a cantora fez em 1973 ao lado de Vinicius de Moraes e Toquinho. “Na época, Clara despontava com todo talento que acabaria confirmado ao longo de sua carreira”, diz Toquinho. O cantor e compositor diz ainda que a cantora era uma pessoa especial. “Doce na convivência e extremamente profissional, interessada e envolvente. Além do talento como intérprete afinadíssima, com um timbre de voz forte e vibrante, completado pela graciosa presença de palco”, afirma.

Clara Nunes, Vinicius de Moraes e Toquinho (Foto: Arquivo Agência O Globo)


Parte da postura no palco, Clara adquiriu no período no qual trabalhou na peça “Brasileiro Profissão Esperança”, em 1974, ao lado do ator Paulo Gracindo, dirigida por Bibi Ferreira. Com Bibi, Clara ganhou teatralidade.
Da segunda metade da década de 70 até seu último disco, em 1982, Clara intensificou seu mergulho nas raízes afro-brasileiras e no samba. Levou para o palco, sempre com muita receptividade, canções que traziam elementos do candomblé, sua religião, garimpou novos compositores – sem se esquecer dos tradicionais, sobretudo os da Portela, sua escola de samba do coração – e emplacou sucessos como “Canto das três raças”, “O mar serenou”, “Coisa da antiga”, “Guerreira”, “Feira de mangaio”, “Morena de Angola” e “Portela na avenida”.
Para o biógrafo Vagner Fernandes, o repertório e a atitude de Clara no palco revelavam muito mais que uma opção artística. “Clara era mulher séria, mas muito doce. E tinha a música como instrumento de conciliação”, diz. “A maneira como ela se posicionava era muito particular. A estética dela, não visual, mas sonora, de buscar nossas raízes africanas, refletia seu posicionamento político”, afirma Fernandes.
A sofrida morte da cantora, no dia 2 de abril de 1983, aos 39 anos, após quase um mês em coma em decorrência de um choque anafilático, ajudou na criação do mito Clara Nunes. Na época, as especulações em torno da morte da cantora foram inúmeras: tentativa de inseminação artificial, aborto e até uma surra que teria sido dado pelo marido, o compositor Paulo César Pinheiro, de quem Clara gravou inúmeras canções. O biógrafo refuta todas, além de considerá-las fantasiosas.

Clara Nunes (Foto: Arquivo Agência O Globo)













O fato é que Clara internou-se para fazer uma cirurgia simples para a retirada de varizes. Segundo Fernandes, Clara havia ficado traumatizada com a morte da amiga Elis Regina, um ano antes. Como a cantora foi autopsiada, Clara ficou com pavor de corte e, por isso, pediu que o médico usasse uma anestesia geral e não a peridural (anestesia aplicada nas costas, entre as vértebras). Um erro médico também foi uma das hipóteses ventiladas na época. “Para escrever o livro, consultei a sindicância aberta pelo Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) e não há nenhum indício de erro médico. Foi uma fatalidade”, diz Fernandes.

Baú de Clara ainda guarda raridades
Clara Nunes (Foto: Manoel Soares / Agência O Globo)

Embora figure nas listas das mais importantes cantoras brasileiras, o legado de Clara Nunes não teve, depois de sua morte, a garimpagem que merecia. Em comparação com Elis Regina, por exemplo, que já teve pelo menos uma dezena de CDs e DVDs lançados com materiais raros ou inéditos, as iniciativas em torno da obra de Clara são ínfimas. Além da biografiaClara Nunes – Guerreira da Utopia, de Vagner Fernandes, atualmente esgotada, apenas um DVD com clipes que Clara gravou para o programa Fantástico e uma caixa que reuniu o relançamento de seus discos, também em edição já esgotada, fizeram a alegria dos admiradores de Clara nos últimos 30 anos.
Material não falta. Fernandes, que atualmente trabalha em uma edição revista e ampliada do livro que escreveu sobre a cantora mineira, pretende incluir, na nova edição, dois áudios do show “Sabiá sabiô”, que Clara faria com o compositor Hermínio Bello de Carvalho, em 1972. São eles "Mané fogueteiro" (João de Barro) e "Quando o carnaval chegar" (Chico Buarque). “Um dos grandes sonhos de Clara era trabalhar com o Hermínio. Mas, em meio aos ensaios, houve um desentendimento e ele deixou o projeto. Clara ficou tristíssima”, diz Fernandes. 
Há mais: dois shows completos da década de 70 gravados pelo produtor Genival Barros. Um é o registro da apresentação de Clara em Abdijan, na Costa do Marfim (África), da segunda vez que Clara fez shows em território africano. O outro traz a gravação da turnê Sabor bem Brasil, de 1978, na qual Clara rodou ao país em um show coletivo ao lado de Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Caçulinha, Geraldo Vespar, João Bosco e Luiz Gonzaga. 
O desafio agora é conseguir a autorização de todos os músicos e herdeiros envolvidos nas gravações para que elas possam ser lançadas. “Tem herdeiro que pede uma quantia alta, o que inviabiliza o projeto. Por que a gravadora gastaria R$200 mil em um produto que deve render R$ 5 ou R$ 10 mil?”, diz Fernandes. No ano passado, um impasse de valores entre músicos e a Universal Music abortou o projeto de colocar nas lojas um registro raro da cantora Elis Regina.
A gravadora EMI, que detém toda a obra de Clara, prometeu relançar a caixa com os CDs da cantora. Há planos também de lançar um DVD com um especial que Clara gravou para a televisão em 1973. Procurada por ÉPOCA, a EMI disse que a intenção é lançar os dois produtos ainda no primeiro semestre de 2013.

01 abril 2013

02 de abril 2013 - 30 anos sem Clara Nunes

Um Ser de Luz 

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela se foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de Vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá, até um dia

Especial da Rádio Nacional


Rádio Nacional FM de Brasília faz homenagem a Clara Nunes


Acompanhe nesta terça (2) o tributo à cantora Clara Nunes (Divulgação)



Há 30 anos, Clara Nunes deixou todo Brasil com saudades. A  cantora, que também foi pesquisadora da música popular brasileira, conquistou milhares de fãs no Brasil e na África, para onde viajou diversas vezes para mostrar seu talento. Além disso, quebrou tabus: foi a primeira mulher a vender mais de 100 mil discos.
Para homenagear a artista, a Rádio Nacional FM de Brasília fará uma série de especiais ao longo de sua programação. Na terça-feira (2) às 10h, vai ao ar um tributo a Clara Nunes noMomento Três. No mesmo dia às 15h, a rádio reprisa o Roda de Samba Especial, que apresenta os maiores sucessos e fatos curiosos que marcaram a trajetória da cantora.
Clique no link  abaixo para ouvir a Rádio Nacional FM de Brasília

Clara será tema de coleção


DESFILE DE VICTOR DZENK E ROGÉRIO LIMA FAZ HOMENAGEM A CLARA NUNES

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VEJA TODAS AS FOTOS
Clara Nunes será homenageada no desfile de Victor Dzenk
Publicada Domingo 31 de março 2013 , 16:00
O desfile em dupla de Victor Dzenk com o designer de acessórios Rogério Lima, que acontece no dia 09 de Abril, no Minas Trend Verão 2014, já tem tema definido. Com apoio da Cedro Têxtil, a apresentação homenageará a mineira Clara Nunes.
O motivo da Cedro ser a principal apoiadora do desfile em honra a cantora é simples: Clara nasceu em Caetanópolis, cidade onde a tecelagem foi fundada, e também trabalhou na empresa têxtil por volta dos anos 50.
Por conta desta forte relação, a Cedro, que mantém um dos únicos museus dedicados a um pouco da história da indústria têxtil, mantém uma área especial dedicada a Nunes, que conta com fotos e documentos, um deles que mostra quando Clara foi admitida, em 1956, como "aprendiz" na firma.
A apresentação acontece no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte na manhã de quinta-feira, dia 09.
Serviço:
Museu Têxtil Décio Mascarenhas
Praça Cel. Aníbal Pinto Mascarenhas, nº 01 – Centro
Tel: (31) 3714-7941

27 março 2013

Homenagem em Belo Horizonte


  Manu Dias apresenta o show: 

 “Um Ser de Luz” 30 anos sem Clara Nunes




Clara Francisca Gonçalves Pinheiro mais conhecida como Clara Nunes nos deixou em 02 de abril de 1983,  após 28 dias em estado de coma decorrente de um choque anafilático levava uma voz de Ouro se calava e levava seu brilho ao céus , deixando vários faz órfãos aqui na terra .
Em decorrência deste fato no ano em que completamos 30 anos sem Clara  a cantora Manu Dias traz sua homenagem a Mineira Guerreira com o show “Um Ser de Luz” .
Clara é uma cantora atemporal e os tributos fazem todo sentido neste momento , por isso o convite do Conservatório UFMG foi aceito imediatamente. 
Manu se uniu ao Cavaquinista e arranjador Warley Henrique que também esta na direção musical e juntos estão  preparando um lindo show , contando ainda com os músicos Betinho Moreno (Violao 7 cordas) , Felipe Cordeiro (Percussao) , Rodrigo Martins (Surdo) e Teko Rodrigues (Pandeiro) .
Manu Dias firmou um  contato mais intenso com a obra de Clara a aproximadamente um ano quando pretendia fazer um show em comemoração aos 70 anos de Clara que na ocasião não aconteceu e por ter se identificado com a musicalidade , a admiração e o desejo de poder contribuir para que o repertorio extenso de Clara seja apresentado aos mais variados públicos foi o que contribuiu para que a cantora levasse adiante seu intento .
O show tras no repertorio perolas como “Mente” , “Minha Gente do Morro” e muito mais . Vale a Pena Conferir.
Informaçoes :
Local Conservatorio da UFMG- Belo Horizonte
Endereço : Avenida Afonso Pena 1534 .
Data : 05 de Abril (Sexta Feira)
Horario : 20:30h
Preço : R$ 20(inteira) R$ 10(meia)
Contato : (31) 3490-8300


25 março 2013

Jornal O Tempo- O canto da guerreira ressoa novamente


O canto da Guerreira ressoa novamente
Publicado no Jornal OTEMPO em 24/03/2013
RENATO VIEIRA

FOTO: WILTON MONTENEGRO/ DIVULGAÇÃO
Figura. Cantora também ficou na memória cultural do Brasil por conta de suas roupas que remetem à religiosidade e à cultura afro-brasileira
Se 2012 foi o ano em que o Brasil lembrou de Elis Regina por conta de suas três décadas de morte, o mesmo já está acontecendo em relação a Clara Nunes. A cantora, que faleceu em 2 de abril de 1983, após passar 28 dias em coma decorrente de um choque anafilático, quando fazia uma cirurgia de varizes, será homenageada através de tributos de outras intérpretes, relançamento de sua discografia e documentário (veja matéria ao lado). É uma boa oportunidade para lembrar o legado da Guerreira, responsável pelo renascimento do samba nos anos 1970 e consequentemente por seu sucesso comercial.

Clara Francisca nasceu em 1942 em Cedro (distrito de Paraopeba, hoje Caetanópolis, a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte) e adotou o Nunes da mãe nos anos 1950, quando cantava em bailes e boates da capital. Entre 1966 e 1969 gravou três álbuns que transitavam entre o samba-canção e o bolero. A partir de 1971, com a ajuda do produtor Adelzon Alves, é que ela se tornou expoente do samba de raiz, sem deixar de se debruçar sobre outras sonoridades brasileiras, como o forró e o maracatu.

"A Clara foi uma pioneira em muitos sentidos. O principal deles foi dar visibilidade a um estilo e mostrar seu valor para o grande público. Era uma época em que havia grande resistência ao samba e ela conseguiu passar por essa barreira", considera Vagner Fernandes, biógrafo da cantora. Ele lembra que a Guerreira, como era conhecida, foi a primeira mulher a vender 400 mil cópias de um álbum - "Alvorecer", lançado em 1974 -, no Brasil; abraçou a cultura afro-brasileira sem medo de sofrer preconceitos e, por tabela, reconfigurou o mercado fonográfico, com Beth Carvalho e Alcione deixando, respectivamente, de cantar canções de protesto e jazz para aderir ao samba, que se tornou lucrativo para as gravadoras.

Esses quesitos são reconhecidos por Aline Calixto, que lançou na última quinta-feira nas redes sociais
uma gravação de "Conto de Areia", faixa de maior sucesso de "Alvorecer". "Quando a gente lembra de mulheres no samba, a primeira pessoa que vem à cabeça é Clara Nunes, porque ela ficou sendo a maior referência, com ela é que se abriu as portas para as outras e serve de inspiração até hoje".

Para ela, Clara era uma cantora diferenciada. "Assistindo aos clipes dá pra perceber que ela sentia o que estava cantando, é como se ela vivesse aquilo. Pra nós, da nova geração do samba, acaba sendo um aprendizado", afirma.

O diferencial também estava no repertório. Clara deu voz a compositores que ainda não haviam encontrado alguém que pudesse reverberar seu trabalho. "Na mesma época em que Adelzon produzia Clara, ele tinha um programa de rádio no qual tocava novos sambistas. Esse repertório quase sempre chegava para ele em primeira mão e o que era bom ele mostrava pra Clara, que tinha um carinho especial pelos compositores de morro", explica Fernandes. Candeia, Dona Ivone Lara e João Nogueira são autores que despontaram a partir do momento em que a cantora lhes deu espaço em seus álbuns.

Clara também permanece na memória coletiva pelo seu vestuário. A cantora usava colares de contas, pulseiras e símbolos da umbanda, além das roupas de baiana, que se tornaram sua marca registrada. "Ela tinha consigo uma religiosidade que estava em todos os aspectos do seu trabalho. E, à época, isso não era muito bem-visto. Mas o público ficou encantado com aquelas roupas, as pessoas sentiram uma verdade naquilo que a Clara apresentava". O biógrafo lembra que, talvez por conta da indumentária, ela foi a artista que mais gravou clipes para o "Fantástico", da TV Globo, em um momento no qual o programa era um dos principais veículos musicais na emissora. Alguns desses vídeos foram compilados em um DVD lançado em 2009.

Shows. Calixto e a paulista Fabiana Cozza, além da baiana Mariene de Castro - que lançou há poucas semanas o CD e DVD "Ser de Luz - Uma Homenagem a Clara Nunes" -, têm apresentado o repertório de Clara em shows pelo país desde 2012, quando Clara completaria 70 anos. Ambas contam que a iniciativa partiu da simples vontade de fazer uma homenagem. "O samba deve muito a ela. Por isso ela merece ser reconhecida", salienta Calixto, sem medo de comparações, assim como Cozza. "O bacana é que o espetáculo não busca imitá-la ou utilizar-se de signos ou dos adereços que ela usava. Não se trata de levar a Clara para o palco, mas mostrar suas músicas e sua brasilidade". Ambas escolheram equilibrar grandes sucessos com músicas pouco lembradas.

Fernandes, que participou da concepção inicial do trabalho de Mariene, diz ver as homenagens de Calixto, Cozza e Mariene com bons olhos e que elas servem para levar o trabalho de Clara a um novo público. "Esses tributos são a maior prova de que ela conseguiu deixar um trabalho sólido que continua importante dentro da nossa música e que tem gente disposta a levar isso à frente", salienta o biógrafo, acrescentando que as cantoras devem fazer seus tributos sob o olhar particular de cada uma.

"Clara é uma artista atemporal, com um repertório atemporal e sua figura também é atemporal. Por isso esses tributos fazem tanto sentido neste momento. Mas a obra da Clara está viva, não dá pra soar como uma simples cópia. Se você escutar uma música dela no rádio, pode até achar que foi feita agora, pela qualidade de gravação e do repertório. É algo que permanecerá para sempre".





REEDIÇÕES
Álbuns e livro de volta às lojas
O biógrafo Vagner Fernandes é responsável pelo novo box que terá os 16 álbuns gravados por Clara Nunes. Os trabalhos já haviam saído em CD, mas voltam às lojas com nova masterização e correção de falhas das edições anteriores, como capas trocadas e faixas com baixa qualidade de som.

O box deve sair nos próximos meses e Fernandes está selecionando faixas que Clara gravou em compactos e projetos especiais para complementar os álbuns originais. "Estamos acertando os detalhes finais. Acredito que seja um lançamento que faça jus à obra de Clara", afirma.

O lançamento vai permitir ao ouvinte um passeio pela constante evolução artística de Clara. Em seu primeiro álbum, "A Voz Adorável de Clara Nunes", por imposição da gravadora, a cantora interpreta boleros, que aparecem em maior ou menor medida nos dois discos seguintes. O grande salto acontece em 1971, quando ela passa a ser produzida por Adelzon Alves e grava "o disco da virada", segundo Fernandes.

"É a partir daí que a gente reconhece a Clara de verdade, porque antes ela era restringida pela gravadora", salienta o biógrafo, afirmando que Clara mantém o nível de sua discografia nos álbuns seguintes e atinge seu auge a partir de 1975, após o êxito de "Alvorecer" (1974), quando passa a ser produzida pelo marido e compositor Paulo César Pinheiro.

Fernandes também localizou gravações inéditas, como shows do projeto Sabor Bem Brasil, no qual Clara dividiu o palco com João Bosco e Altamiro Carrilho, dentre outros nomes e uma apresentação com João Nogueira na Costa do Marfim. Segundo ele, é possível que os registros saiam em CD em breve.

Também voltará às lojas o livro de Fernandes, "Clara Nunes: Guerreira da Utopia". Lançado pela Ediouro em 2007,a publicação já não é encontrada com facilidade. O relançamento deve acontecer por uma nova editora e está em fase de negociação. (RV)
MEMORIAL
Objetos e roupas são expostos em Caetanópolis
Inaugurado em agosto do ano passado, o Memorial Clara Nunes, em Caetanópolis, abriga cerca de 6.000 itens da cantora, entre objetos pessoais, roupas, discos de ouro e documentos. A iniciativa partiu da irmã da cantora, Maria Gonçalves, a Dindinha, que para isso criou o Instituto Clara Nunes.

Localizado na rua Fernando Lima, próximo ao centro da cidade, o memorial só abre nos fins de semana e feriados. O visitante paga R$ 5, com meia-entrada para menores de idade e estudantes. Crianças entram gratuitamente. No local há uma sala de exposição e uma sala de projeção na qual são exibidos clipes de Clara. Marlon de Souza, historiador da Universidade de São João del Rei, que fez o trabalho de catalogação do acervo e é o curador do espaço, diz que pretende montar uma programação especial devido aos 30 anos de morte de cantora. "Não sabemos ainda como vai ser, até porque o marido da Dindinha acabou de falecer e gostaria muito que ela participasse da organização. Mas acho que devemos fazer algo para que a data não passe em branco", explica.

Um projeto que pede a manutenção e ampliação do memorial foi inscrito na Lei Rouanet. Segundo o curador, o incentivo possibilitaria também a abertura diária do espaço e a organização de grandes eventos culturais na cidade. Por enquanto, os custos são cobertos pela venda de CDs, discos de vinil e cartões-postais. (RV)

21 março 2013

Linda homenagem


21/03/2013 14h30 - Atualizado em 21/03/2013 14h30

Aline Calixto regrava canção



eternizada 


 

na voz de Clara Nunes


Releitura de 'Conto de Areia' tem participação do rapper Emicida. 
Faixa pode ser baixada gratuitamente a partir desta quinta-feira (21).

Raquel FreitasDo G1 MG
Comente agora
Aline Calixto diz que, no início da carreira, era comparada a Clara Nunes (Foto: Henrique Falci/Divulgação)Aline Calixto diz que, no início da carreira, era
comparada a Clara Nunes
(Foto: Henrique Falci/Divulgação)
Clara Nunes cantou e eternizou com sua voz a história do amor de uma morena e de um canoeiro, que se lança nas águas de Iemanjá.  Prestes a completar 30 anos da morte da cantora mineira, a canção “Conto de Areia”, uma das mais marcantes de todo seu repertório, ganha releitura, unindo samba e hip hop. Os responsáveis por esta versão são carioca de alma mineira Aline Calixto e o paulista Emicida. Além da interpretação da sambista da nova geração, a música ganhou versos escritos pelo rapper. Nesta quinta-feira (21), a faixa, de autoria de Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento, foi disponibilizada para download.
No início da carreira, Aline Calixto conta quem não eram poucas as pessoas que comparavam o seu trabalho ao de Clara Nunes. “Ela deixou uma lacuna na música, principalmente no seguimento do samba. Então, sempre que surge uma sambista, buscam traços da Clara Nunes”, comenta. Hoje, com dois álbuns gravados, ela diz que as comparações cessaram.
Segundo a cantora, Clara Nunes sempre esteve presente dentro de seu universo de inspiração, assim como Beth Carvalho e Maria Bethânia. O primeiro contato com a obra da "guerreira" veio por meio de seu pai – que era dono de um bar, onde havia música ao vivo – e de sua mãe – uma grande fã da intérprete.
Em 2 abril de 1983, a música perdia Clara Nunes  (Foto: Reprodução/TV Globo)Em 2 abril de 1983, a música perdia Clara Nunes
(Foto: Reprodução/TV Globo)
A aproximação mais efetiva com as canções de Clara Nunes se deu há menos de um ano, quando a jovem sambista foi convidada para participar de um show em homenagem à cantora, que, se estivesse viva, teria 70 anos. A apresentação foi realizada em Belo Horizonte, justamente no dia 12 de agosto, data do nascimento de Clara Nunes. Aline Calixto diz que não foi fácil “peneirar” as 15 canções que fizeram parte do repertório do espetáculo e que se surpreendeu com o resultado. “Gostei muito, o público recebeu muito bem, com uma euforia que assustou um pouco. Ela faz parte da memória afetiva de muita gente”, pontua.
Passado o espetáculo, Aline Calixto quis continuar as homenagens à cantora. Desta vez, de uma forma mais “eficaz”, emprestando sua voz para continuar a eternizar uma das mais representativas canções de Clara Nunes. “Conto de Areia” é uma das preferidas de Aline Calixto, ao lado de “Morena de Angola” e “Fuzuê”. Entretanto, não foi somente a predileção que fez com que a sambista da nova geração escolhesse regravar a canção. “Foi a música que a lançou efetivamente para a grande mídia, é um grande sucesso, tocada em toda roda samba”, justifica.
Paralelamente à vontade de dar voz à faixa, Aline Calixto estreitava a parceria com Emicida, músico que conheceu em bastidores de apresentações e, que, segundo ela, tem o "dom da palavra". A cantora conta que, no início deste ano, foi convidada pelo rapper para participar de um show dele, e devolveu o convite. “Que tal gravar comigo? Vamos pegar este foguete?”, disse ela a Emicida, que aceitou o desafio.
Aline Calixto e Emicida juntos no palco (Foto: Instinto Coletivo)Aline Calixto e Emicida juntos no palco
(Foto: Instinto Coletivo)
A participação do paulistano, diz Aline Calixto, trouxe algo de muito especial à gravação. “Ele simplesmente fez um texto maravilhoso, os versos que ele criou para a música são muito bonitos, de uma poesia que é difícil de encontrar hoje em dia, e até a forma de recitar é muito diferente, tocante”. Para ela, além da parceria, a combinação entre samba e hip hop funcionou bem. “São gêneros que dialogam até pelo local de origem. Os dois surgiram na periferia, e têm linguagem parecida”, avalia.
Gravada entre Belo Horizonte e São Paulo, a releitura de “Conto de Areia” teve produção musical e arranjos do músico mineiro Thiago Delegado, este parceiro de longa data de Aline Calixto. Por enquanto, a canção estará disponível para download gratuito na página da cantora em uma rede social. Também haverá um “web clipe”, registrado na passagem de Aline Calixto em São Paulo, no início de 2013. Mas, em breve, a música deve passar a integrar o repertório de um novo trabalho. Ainda no primeiro semestre, a sambista vai gravar, em Belo Horizonte, o primeiro DVD, e a canção de Clara Nunes não deve ficar de fora do repertório.

19 março 2013

30 anos após

                                                Clara Nunes em Belo Horizonte nos anos 60.
                                                             Foto reprodução: Jornal Extra


14 março 2013

Coleção Clara Nunes - Verão 2013 - Victor Dzenk



Ex-funcionária de tecelagem, Clara Nunes será homenageada no Minas Trend Preview


A Cedro Têxtil, que empregou a mineira aos 14 anos, faz desfile com Victor Dzenk em sua homenagem

Jornal do Brasil

A voz, a energia e as referências estéticas de Clara Nunes (1943 - 1983) todos nós conhecemos muito bem, mas alguém aí sabe o que fazia Clara Francisca Gonçalves aos 14 anos? Essa só esta coluna sabe: era funcionária da Cedro Têxtil, em meados dos anos 50, na cidade de Caetanópolis, onde nasceram a cantora e a tecelagem.

Naquele pedaço de Minas Gerais também está o museu têxtil da Cedro, um dos poucos do setor no Brasil, que tem uma área especial dedicada à Clara, com todos os documentos e fotos referentes à sua passagem pela empresa, da qual foi contratada em 12 de agosto de 1956. E foi de lá que recebemos este clique exclusivo do registro de funcionária da estrela.
Em 12 de agosto de 1956, aos 14 anos, Clara Nunes foi contratada como aprendiz da Cedro Têxtil.

Para homenagear sua funcionária mais famosa, a Cedro promoverá um desfile com o mineiro Victor Dzenk no dia 9 de abril, no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, tendo Clara Nunes como tema central. “Além do apoio institucional ao desfile em homenagem a uma funcionária que ajudou com seu trabalho o desenvolvimento da Cedro, tornando-se, posteriormente, uma verdadeira diva da musica popular brasileira, também queremos destacar o trabalho do Victor Dzenk, hoje uma referência em inovações na área de estamparia. Como a estampa também é uma forte aposta da Cedro para a próxima temporada, investimos no desfile para reforçar este conceito”, explica Cassia Silveira, gerente de marketing da Cedro Têxtil.



   

Estilista mineiro Victor Dzenk homenageia Clara Nunes em sua coleção verão 2013

Queridinho de atrizes, cantoras e socialites, ele pretende abrir maisons em Búzios, Trancoso e São Paulo


Gustavo Andrade/Odin

A modelo Renata Johnson, que veste peça da próxima coleção, e Dzenk: flores inspiradas no estilo da cantora Clara Nunes

12 março 2013

Clara Negra - Em BH

Montagem da Cia. Burlantins apresenta Clara Nunes às novas gerações


Espetáculo acontece na Funarte MG, onde o Grupo mostra ainda 'Munheca', releitura de 'O avarento'



Sérgio Rodrigo Reis - EM Cultura

Publicação:07/03/2013 09:00Atualização:07/03/2013 10:06



O espetáculo 'Clara negra', com a Cia Burlantins, mostra ao público as várias fases da carreira de Clara Nunes

A Cia Burlantins promete dupla jornada para este mês no encerramento da Mostra Benjamin de Oliveira na Funarte MG, em Belo Horizonte. Com direção de Maurício Tizumba e Paula Manata, estreia nesta quinta-feira à noite o espetáculo 'Clara negra', que homenageia a cantora mineira Clara Nunes e fica em cartaz até dia 17. Já 'Munheca', previsto para ser apresentado entre os dias 21 e 31, no mesmo local, é baseado no clássico teatral 'O avarento', de Molière, e tem Elisa Santa como diretora e Tizumba no elenco.



Com elenco formado por nove artistas negros, entre atores, cantores e músicos, 'Clara negra' tem como objetivo apresentar ao público as várias fases musicais da cantora, que se tornou uma das grandes vozes do samba interpretando canções como 'Canto das três raças'. Graças a seu talento, a artista chegou a se apresentar também no exterior, tendo feito temporadas na Europa e viajado por países africanos.



“Ela foi uma grande artista no Brasil inteiro, deixou legado artístico muito grande. Ganhou prêmios importantíssimos fazendo música popular brasileira. Cantou de tudo, nunca vi tanto ecletismo como o dela. De cantigas do Nordeste a bolero, música romântica, samba, baião, xote. É preciso manter a memória dela para as novas gerações”, afirma Tizumba. Curiosamente, esta é a terceira peça sobre a cantora da qual ele participa.
O espetáculo 'Clara negra', com a Cia Burlantins, mostra ao público as várias fases da carreira de Clara Nunes (Daniel Protzner/Divulgação
)


CLARA NEGRA

Desta quinta-feira ao dia 17

Local: Funarte MG

Endereço: Rua Januária, 68, Floresta

Apresentações de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada), à venda na bilheteria uma hora antes do espetáculo

Informações: (31) 3213-3084.

04 março 2013

Clara Nunes - O Musical


 

A POESIA DE CLARA NUNES CANTADA EM UM MUSICAL


Os palcos brasileiros definitivamente estão cada vez mais interessados em recontar de forma cantada, histórias autobiográficas de grandes ícones da nossa música. Em 2013, será a vez de Clara Nunes, a famosa “dama do samba”, ter sua história exposta no teatro… Em tributo aos 70 anos que faria e aos 30 anos de sua morte, ela que foi a primeira cantora do Brasil a vender mais de 300 mil cópias, terá sua vida e obra eternizada em uma homenagem musicada que levará o nome de Clara Nunes – Canto de uma Nação Brasileira”. Seu sucesso foi responsável por espalhar nossa cultura pelo mundo, levando ela e sua música a diversos países como Angola, Suécia, Japão, Portugal, França, entre outros.
Clara Nunes - O musical
O musical é um projeto da Dona Sinhá Produções Artísticas, que recebeu autorização para captar R$ 1.576.750,00 pela Lei Rouanet e fazer tudo acontecer para Agosto do ano que vem. A ficha técnica ainda não tem divulgação oficial, mas as audições já estão previstas para maio de 2013, acontecerão na Casa do Zezinhodirecionando-as especialmente aos jovens da região do Capão Redondo: atores, cantores e bailarinos envolvidos com a ONG poderão participar.
Fabiano Medeiros, já conhecido por outros projetos paralelos ligados a ela, é parte da alma do espetáculo. No palco, ele será um poeta sem nome, um escritor apaixonado por Clara Nunes, que ao receber a notícia de sua morte, passa a reviver e contar a trajetória da estrela. Através de sua obra, ele descobre e redescobre seu país cheio de riquezas culturais, em costumes e belos textos, cheios de prosa, rima e poesia. A história acontece como um relato de fatos pessoais, fazendo um paralelo com os do povo brasileiro, começando na cidade de Caetanópolis – Minas Gerais, onde Clara confidenciou que gostaria de encerrar sua carreira, cuidando de uma creche, devido a sua impossibilidade de ter filhos. A primeira cena se passa em 25 de Dezembro de 1982, em pleno Natal, na casa de sua irmã e madrinha Mariquita. A família de Clara terá um destaque especial na obra e seus pais, Manuel e Amélia, serão homenageados através da referencia visual e musical da tradicional festa “Folia de Reis”, pois sua mãe era religiosa e seu pai um dos tradicionais violeiros da festa. Outro cenário importante será a quadra da escola de samba Portela, onde a cantora recebeu o título de “A Dama do Samba” , essa passagem contará a marcante fase “azul e branca” da cantora, e fechando com chave de ouro, os últimos anos de sua carreira serão representados em meio a grandes festas populares, com cenários coloridos e alegres, que mostrarão referências sobre Clara e alguns ritmos musicais brasileiros, como o forró, o maracatu e a congada.
Clara Nunes
Um espetáculo musical em estilo documentário, repleto de simbologia e misticismo como roupas e ritos, referências afro e boa música; No palco, contarão em forma de canção a história de vida da “Guerreira”, que entoou o canto de todos os cantos, cantou o povo, as raízes, as esperanças e alegrias, cantou as lutas e as dores além de contar também os amores, momentos de uma vida inteira através da eterna PPB”: a Poesia Popular Brasileira…

http://abroadwayeaqui.com.br/2012/12/23/a-poesia-popular-de-clara-nunes-cantada-em-um-musical/