Blog Clara Nunes

16 fevereiro 2009

Os gaúchos levam prá avenida: Clara Nunes! Carnaval 2009

A maior escola do sul do Brasil, (Porto Alegre)Bambas da Orgia, traz para a avenida uma bela homenagem à Clara Nunes no carnaval 2009! "Numa rota de luz e emoção, convoca o povo para entoar um poema de amor a Clara Nunes, filha de Ogum com Iansã, que o povo carinhosamente apelidou de “Rainha dos Orixás”.
Autores do tema:
Mário Nienow
Sidnei Medeiros
Conheça o enredo no site oficial da escola:
:
Ouça o samba-enredo no link:
(Arilson Trindade, Ciganerey, Claudinho e Juliano Centeno)
DEIXA CLAREAR, CLAREIA...
ILUMINADA VEM A GUERREIRA
A MINHA ÁGUIA É POESIA NO AR
BAMBAS DA ORGIA, CLARA NUNES VEM CANTAR
BRAVA MINEIRA! DOCE ENCANTO NO OLHAR
AO SOM DA VIOLA CRESCEU“VOZ DE OURO”...
NO RÁDIO ENTÃO VENCEU
COM O SAMBA ERGUEU SUA BANDEIRA
NUM “CONTO DE AREIA”...
FLORESCEU EMBALOU SEUS VERSOS,
RECEBEU A MAGIA RUMO A NEGRA RAIZ,
QUE SE FEZ SUA GUIA NO RUFAR DO TAMBOR VEIO A INSPIRAÇÃO
DA ÁFRICA... RELUZ A FORÇA DA CANÇÃO
OGUNHÊ! PAI OGUM... EPARREI! MÃE IANSÃ
CLARA RAINHA DOS ORIXÁS UM SER DE LUZ,
FEZ ECOAR A SUA FÉ PELOS “SETE CANTOS”
EXALTOU O CANDOMBLÉ RESPLANDECEU...
NOS PALCOSO CANTO DO MEU “SABIÁ”
COMO CHUVA DE PRATA, BANHANDO AS MATAS DE ALEGRIA...
NUM LINDO AMANHECER ASSIM SURGIU A “MARAVILHA DE AQUARELA”
O MANTO AZUL E BRANCO, TUA ETERNA PORTELATE ENVOLVEU DE AMOR
NA PASSARELA“MAS ELA SE FOI PRA CANTAR”
BRILHA ALÉM DO LUAR NO CÉU É A ESTRELA QUE NOS FAZ SONHAR
UM MAR DE EMOÇÃO EM HOMENAGEM
TRAZ A RAZÃO MAIOR... COM “CLARIDADE”
Acompanhe com exclusividade pelo blog "Deusa dos Orixás" as notícias do desfile através da portoalegrense Aninha, que irá desfilar e trazer informações diretas e inéditas do carnaval homenagem à Clara Nunes!
O Blog Clara Voz de Ouro agradece aos gaúchos
esta grandiosa homenagem à Guerreira Clara Nunes! VIVA!

14 fevereiro 2009

Erros pontuam nova compilação de Clara Nunes

Erros pontuam nova compilação de Clara Nunes
A bela ilustração de Axel Sande que adorna a capa de Guerreira é o único traço de originalidade em mais uma compilação de Clara Nunes (1942 - 1983) editada pela EMI Music. A atual é dupla e inclui 28 gravações da cantora selecionadas por Ricardo Moreira com ênfase nos sucessos já incluídos em coletâneas anteriores. Contudo, há três erros entre as poucas informações fornecidas pela compilação. A faixa Canto das Três Raças é de 1976, tendo dado título ao álbum lançado por Clara naquele ano, e não de 1979. Da mesma forma equivocada, o fonograma de Feira de Mangaio é atribuído a 1971 quando a parceria de Sivuca (1930 - 2006) com Glorinha Gadelha foi gravada por Clara em 1979 para o álbum Esperança.
Por fim, a gravação de Peixe com Coco não foi lançada em 1978, mas em 1980 no disco Brasil Mestiço. Em contrapartida, a nova masterização é de bom nível. Eis (com as datas corretas) as 28 faixas da compilação Guerreira, de título homônimo do (belo) álbum lançado pela saudosa artista em 1978:
CD 1
1. Guerreira (1978)
2. Conto de Areia (1974)
3. Canto das Três Raças (1976)
4. Morena de Angola (1980)
5. Coisa da Antiga (1977)
6. A Deusa dos Orixás (1975)
7. Menino Deus (1974)
8. Tristeza Pé no Chão (1973)
9. Candongueiro (1978)
10. Samba da Volta (1974)
11. Sem Companhia (1980)
12. P.C.J. (Partido Clementina de Jesus) (1977)
13. Ê Baiana (1971)
14. Portela na Avenida (1981)
CD 2
1. O Mar Serenou (1975)
2. Na Linha do Mar (1979)
3. Nação (1982)
4. Meu Sapato Já Furou (1974)
5. As Forças da Natureza (1977)
6. Peixe com Coco (1980)
7. Lama (1976)
8. Pau de Arara (1974)
9. Coração Leviano (1977)
10. Alvorecer (1974)
11. Você Passa Eu Acho Graça (1968)
12. Feira de Mangaio (1979)
13. Juízo Final (1975)
14. Serrinha (1982)
Retirado do blog do Mauro Ferreira,crítico musical:

06 fevereiro 2009

Nova coletânea

Com novo cd lançado pela gravadora EMI MUSIC , Clara Nunes passa a ter um invejável currículo póstumo de 29 cds no formato coletânea. Em 25 anos após sua ausência, teve pelo menos um cd no mercado a cada ano.
Força de venda, incontestável!
Confira as 28 coletâneas no site homenagem 25 anos:

Três imortais do samba!
Lançado neste mês de fevereiro 3 cds coletâneas com bonitos encartes e contracapas coordenados por Luiz Garcia, executivo da EMI. No pacote, a gravadora lançou compilações duplas de Clara Nunes (1942 - 1983) João Nogueira (1941 - 2000) e Roberto Ribeiro(1940-1996).
Blog Clara Voz de ouro!

27 janeiro 2009

Vídeo Clube do Samba

(Fantástico 1979)
"Samba agoniza mas não morre" canta todo mundo no lançamento do "Clube do Samba". Estavam lá todos os bambas: João Nogueira, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, Clara Nunes, Beth Carvalho, Dominguinhos do Estácio.... "Samba agoniza mas não morre" canta todo mundo no lançamento do "Clube do Samba". Estavam lá todos os bambas: João Nogueira, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, Clara Nunes, Beth Carvalho, Dominguinhos do Estácio....
Assista no Vídeo Blog:

21 janeiro 2009

Imagens do DVD

Trazemos mais imagens do primeiro DVD Clara Nunes ,
lançado recentemente pela gravadora EMI. São 21 clipes gravados
pelo programa global "Fantástico".
Fotos capturadas pelo colaborador Dido Borges,
diretamente de Pernambuco!
Banho de manjericão
Feira de Mangaio
Na linha do mar
Viola de Penedo
Viola de Penedo
Voce passa eu acho graça

12 janeiro 2009

Diário do Nordeste-Fortaleza

Foto:Folha Press
DVD/LANÇAMENTO
Branco, afro, Clara
Uma reunião de 21 clipes do Fantástico sintetiza a força do canto de Clara Nunes
Ela irradiava magia, como dizia uma música de Gerônimo. Com a força dos orixás de sua religiosidade, com a profundidade de sua negritude, de sua feminilidade, sua voz e de sua personalidade, Clara Nunes (1943-1983) foi uma intérprete que ajudou a ressignificar a mestiçagem brasileira. Em grande parte, graças à Rede Globo e aos clipes que eram apresentados no programa Fantástico, nos anos 70, verdadeiras mega-produções para a época. Quando assumir a negritude era uma ousadia, um ato praticamente revolucionário, antecipando as conquistas sociais e de mercado presentes nos dias de hoje. Ousadia que não faltava à guerreira mineira, que estava sempre ostentando o branco das entidades.Gravados entre 1974 e 1983, os clipes mostram uma brasileira que pouco a pouco assume sua identidade.
Se pouco antes ela era vista, em discos e shows, ao lado de gente como Paulo Gracindo e Vinicius de Moraes, vendendo uma imagem e uma sonoridade que não se lhe formariam sua marca, Clara Nunes foi gradualmente se tornando uma referência da música afro-brasileira, consolidando o mercado feminino do samba e, de certa forma, antecipando o do samba-reggae (axé music) e ainda abrindo novos horizontes para a música que se ocultava entre as veredas mineiras e as dos sertões nordestinos. Resgatados cronologicamente, com uma ou outra falha, os vídeos mostram como Clara se tornou uma das maiores representantes do canto e das tradições desta nação que ainda hoje não as respeita como merecem.De frente pro crimeRodas, rendas, batidas do povo deste lugar.
O samba que Ataulfo Alves lhe sugeriu para cantar. E que Clara já se prontificara, em 68, como conta antes do clipe de ´Você passa, eu acho graça´. Mas a coisa só mudaria de vez em 74, com o sucesso de ´Conto de Areia´, no álbum ´Alvorecer´. A música de Romildo e Toinho abre a seleção de clipes do Fantástico. De branco, colar, rendas de prata, sorriso estampado, Clara dança ao ritmo afro, ainda sem toda a desenvoltura, entre oferendas e o colorido de orixás vivos e religiosamente estáticos. “As águas de Amaralina/eram gotas de luar”...Ainda com a cabeleira escovada que marcara seus primeiros anos de carreira, a mulata mineira chega entre imagens de areia, praia, céu e pescadores para cantar, em estúdio, de branco, ´É doce morrer no mar´ (Dorival Caymmi). Está ao lado do violonista Dario Lopes, embora o som seja de orquestra de cordas e piano, a maior parte do tempo. Após falar da amizade de Ataulfo e seus conselhos, canta, de vestido longo, entre cenário com grafismos concretistas, aquela parceria do mineiro com Carlos Imperial. De microfone na mão, com elegância e discrição, Clara samba assumindo uma postura que marcaria seus clipes: encarando a câmera, “de frente pro crime”.LiberdadeDe rosa, cabelo mais loiro, samba sem microfone em “Macunaíma” (Norival Reis/David Corrêa), em um cenário com desenhos a Tarsila do Amaral. “Vou morar no infinito/e virar constelação”... Rosa amarela sobre o branco, maquiagem pesada, canta em seguida: “Iansã, cadê Ogum?/Foi pro mar!...”, encarando a câmera de vez em quando e sambando com autoridade em “A Deusa dos Orixás” (Romildo/Toinho). De Candeia, “O mar serenou” se tornou clássico na sua voz, em um clipe rápido onde, pé na areia, com o sereno batendo na câmera, a sereia canta entre pedras e sorrisos:
“o frio sentiu seu calor"
A liberdade também é evocada em “Coisa da Antiga” (Wilson Moreira/Nei Lopes), com Clara de Iaiá, entre a casa grande e a senzala.Entidade nacionalEm 1977, um samba-canção marca o primeiro clipe de uma música do maridão Paulo César Pinheiro (e Maurício Tapajós), “À flor da pele”, em que, entre imagens da praia e o fundo escuro do cenário, o grupo de Clara só aparece no final. “Vou compor minha sina”... Violas, veredas, buritis, igrejas, Guimarães: “Sagarana” (João de Aquino/Paulo César Pinheiro). Pinheiro retorna em duas com João Nogueira: “Guerreira” e “Banho de Manjericão”. Na primeira, entre cachoeiras ela canta em forma de oração: “sou a tal mineira/não sou de brincadeira/não temo quebrantos/Porque eu sou guerreira/Sou a mineira guerreira/Filha de Ogum com Iansã”. No segundo, o samba de roda sai das águas de um riacho entre velas e a entidade.Em outubro de 79, nascia um clássico de Paulinho da Viola, “Na Linha do Mar”, entre o mar, as pedras, o céu e o sorriso de Clara. “Quem me vê sorrir/não há de me ver chorar”. Em agosto, Clara estivera ao lado de Adoniran Barbosa, cantando baixinho os versos finais da sua “Abrigo de Vagabundo”, e dos “floreios” de Sivuca, na mais bonita gravação de “Feira de Mangaio” (Sivuca/Glorinha Gadelha). A aproximação com o forró seria manifestada ainda em “Viola de Penedo” (Luiz Bandeira), em que o ponteado de viola voa entre o “coco em Jaboatão”.
Nas duas, Clara veste amarelo e branco. Nesta, ela exibe, pela primeira vez nestes clipes, o cabelo afro com que ficou no imaginário brasileiro. O outro forró será, já em 82, “Como é grande e bonita a natureza”, também de Glorinha e Sivuca, num registro com muitas câmeras e tomadas aéreas entre as Cataratas do Iguaçu, as Sete Quedas, muitas árvores e praias. Confirmando como Clara ficava à vontade com a nordestinidade da sanfona, da zabumba e da viola, ela aparece no lamento sertanejo “Oricuri” (João do Vale/José Cândido).“Morena de Angola” (Chico Buarque) vira sucesso em agosto de 80, com a morena mexendo seus chocalhos entre a terra, os canaviais e o céu com leveza e sensualidade, numa edição com closes ao ritmo da música que fizeram história. Na quadra da Azul e Branco, abençoando o “divino Carnaval”, Mauro Duarte, Paulo César Pinheiro e a moça de branco renovam seu canto e o samba em “Portela na Avenida”. Triunfal. A apoteose continua: “Dorival Caymmi falou pra Oxum/Com Silas tô em boa companhia” canta Clara na faixa-título de seu último disco: “Nação” (Aldir Blanc/Paulo Emílio/João Bosco) cujo clipe, com direção creditada para Eid Walesko (?), a terá radiante entre um arco de flores amarelas, vermelhas, brancas e azuis no cabelo e um vestido igualmente colorido entre um novo desfile de orixás em um cenário escuro.
No fim, após um discurso sobre sua missão no mundo, entre os cartões-postais de Salvador e o bloco afro Filhos de Gandhi, “Ijexá” (Edil Pacheco), também do seu último disco, apresenta o ritmo, a tradição, que, já sem a presença da entidade mineira, renasceria no fim daquela década.
HENRIQUE NUNES
Repórter
DVD R$ 37 Clara Nunes -
"Clara Nunes"
Som Livre 2008
21 faixas

09 janeiro 2009

Clara em Revistas

Revista Manchete 1977
Revista do Rádio 1969
Revista Intervalo 1970 Revista do Rádio 1966
Revista Manchete 1977
Revista do Rádio 1967
Revista Amiga 1983
Revista do Rádio 1967

22 dezembro 2008

DVD Crítica-Mauro Ferreira

Resenha de DVD
Título: Clara Nunes-
Os Musicais do Fantástico das Décadas de 70 e 80
Artista: Clara Nunes
Gravadora: EMI Music/ Globo Marcas
Cotação: * * * *
Enfim, a imagem e o canto luminosos de Clara Nunes (1942 - 1983) já podem ser vistos e ouvidos em DVD. O primeiro DVD da cantora exibe 21 clipes gravados por essa mineira guerreira - entre 1974 e 1983 - para o programa Fantástico, apresentado pela TV Globo nas noites de domingo desde 1973. O período enfocado no DVD coincide com o auge artístico e comercial da cantora, projetada em escala nacional a partir de 1974 com o sucesso Conto de Areia - não por acaso, o primeiro clipe do DVD, no qual Clara Nunes aparece com o visual estilizado de baiana estampado na capa do LP Alvorecer (1974). São vídeos produzidos na era pré-MTV e, portanto, pioneiros na formatação de uma linguagem audiovisual até então inexistente na televisão brasileira, que somente ganhou cores a partir de 1972. Em quase todos os vídeos, Clara dubla as gravações do discos - as exceções são os clipes de À Flor da Pele e Oricuri (Segredos do Sertanejo), filmados ao vivo, com banda, em 1977 e em 1980, respectivamente - em estúdios ou em cenários naturais (praias, matas, cachoeiras) que acabam ficando repetitivos quando o espectador assiste na seqüência aos clipes de músicas como O Mar Serenou (1975), Coisa da Antiga (1977), Guerreira (1978), Banho de Manjericão (1979) e Na Linha do Mar (1979). Ainda assim, os 21 clipes conseguem montar belo painel da obra e da evolução de Clara Nunes na sua última década de vida. É fato que não há na seleção um clipe sequer extraído do repertório do álbum (Canto das Três Raças, 1976) que marcou a transição da cantora rumo a um universo rítmico mais abrangente. Em contrapartida, há o vídeo de 1975 em que, após recordar a importância de Ataulfo Alves (1909 - 1969) no começo de sua carreira, Clara dubla seu primeiro sucesso, Você Passa Eu Acho Graça, parceria de Ataulfo com Carlos Imperial (1935 - 1992).
É curioso notar como num dos últimos clipes gravados por Clara para o Fantástico - o de Nação, filmado em 1982 - já são perceptíveis algumas ousadias estilísticas na direção do vídeo (ligeiramente mutilado no DVD por não exibir os rostos de alguns bailarinos do clipe, certamente suprimidos por questões relativas a direitos de imagem). Mas o que salta na tela, por mais que a estética dos vídeos já tenha adquirido caráter kitsch, é a figura radiante de Clara Nunes. Tanto na abordagem do universo praieiro de Dorival Caymmi (É Doce Morrer no Mar, 1974), como no encontro majestoso com o grupo baiano Filhos de Gandhi (em Ijexá, último clipe de Clara, filmado no início de 1983, pouco antes da morte da cantora), ou ainda no dueto feito em 1979 com Adoniran Barbosa (1910 - 1982) para reviver Abrigo de Vagabundos, paira soberana na tela a imagem luminosa de uma intérprete que marcou época e, por isso mesmo, merecia que essa imagem chegasse ao mundo digital. Mesmo sem extras (a EMI cogitou incluir entrevista da cantora à jornalista Marília Gabriela, exibida no programa TV Mulher, mas a idéia não foi adiante), o DVD Clara Nunes tem um lugar de honra na videoteca brasileira.
Blog do Mauro Ferreira-Notas Musicais

21 dezembro 2008

Matéria Jornal Estado de Minas

FILHOS DA TERRA/CLARA NUNES
Eterno rastro de saudade
Cidade natal da 'morena de Angola' redescobriu recentemente a memória da cantora. Acervo artístico e cultural está sob a guarda da irmã Mariquita, à espera de memorial .
Maurício lara
Indalécio Wanderley/O Cruzeiro/Arquivo EM

PERFIL
Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, Clara Nunes, nasceu em 12 de agosto de 1942, em Caetanópolis, que, na época, se chamava Cedro e era distrito de Paraopeba. Era filha de Manuel Araújo e de Amélia Nunes Gonçalves. Órfã desde criança, foi criada pela irmã Mariquita. Antes de ser cantora, na adolescência, trabalhou dois anos como tecelã na fábrica da cidade. Muda-se para Belo Horizonte aos 16 anos, onde começou a carreira. Vai para o Rio em 1965 e logo grava o primeiro disco, cantando boleros, mas só conhece o sucesso em 1968, com o samba Você passa e eu acho graça, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial. Foi casada com o compositor Paulo César Pinheiro, de quem gravou várias composições. No total, foram 16 discos. Clara morreu em 2 de abril de 1983, aos 40 anos, vítima de choque anafilático durante uma cirurgia de varizes. Caetanópolis, cidade de 9,5 mil habitantes a 100 quilômetros de Belo Horizonte, é considerada o berço da indústria têxtil brasileira por causa da Fábrica do Cedro, fundada em 1872 e em pleno funcionamento até hoje. O lugar se chamava Cedro e foi distrito de Paraopeba até a emancipação, em 1954. Fica na Região Central de Minas, às margens da BR 040, que liga BH a Brasília.
A irmã mais velha, Mariquita, cuidou da estrela e, agora, zela com muito carinho pelas boas lembranças que ela deixou
CAETANÓPOLIS -
Tudo que é necessário para formar um belo memorial está bem ao alcance da mão, na terra natal de Clara Nunes, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, sob os cuidados da irmã, Maria Gonçalves da Silva, a Mariquita. O lugar para o memorial também está definido, num terreno bem ao lado da Creche Clara Nunes, que abriga 45 crianças. “Tenho idéia de erguê-lo ao lado da creche. Os meninos vão dar vida ao lugar.” Mariquita organizou tudo como pôde. Estão lá 140 peças de roupas, quase todas brancas, fotos, vídeos, correspondência, publicações, objetos pessoais, braceletes, colares e o acervo barroco, formado por peças com as quais Clara decorava sua casa. Há também uma radiola ABC (toca discos), de uso pessoal da cantora. Um conjunto precioso, guardado com cuidado, mas em lugar inadequado para a visitação. “É complicado cuidar do acervo, porque a família não foi herdeira dela. Somos modestos e lutamos com dificuldade para mantê-lo”, diz Mariquita. Uma recente parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) está permitindo a catalogação do material e a digitalização de fotos, vídeos, publicações e documentos. Agora, Mariquita guarda o acervo artístico e histórico, mas os cuidados dela com a caçula da família começaram muito antes. Clara perdeu o pai com menos de 2 anos e a mãe, aos 4. Foi a irmã, que Clara chamava de Dindinha, quem a criou. “Lá no Rio de Janeiro, ninguém me conhece por Mariquita, mas por Dindinha”, conta a madrinha, orgulhosa. O trabalho da irmã mais velha para preservar a memória da cantora era solitário até poucos anos. A atual administração municipal instalou a Casa de Cultura Clara Nunes e criou o Festival Cultural Clara Nunes, que teve este ano sua terceira edição. “Isso mexeu com a cidade. Precisou passar um tempo para Caetanópolis acordar”, avalia Mariquita. Fotos: Marcelo Sant'anna/EM/D.A press
Centro cultural é homenagem da cidade e a casa onde nasceu será reformada para abrigar projeto de apoio às crianças
Mexeu mesmo. A secretária municipal de Cultura, Adriana Ribeiro Caetano de Andrade, observa uma retomada de interesse da comunidade pela trajetória da conterrânea: “A gente está vendo um tanto de garotas e garotos interessados”. Durante o festival, além das atrações musicais, há parceria com as escolas para serem trabalhadas seis etapas da vida de Clara Nunes: infância, adolescência, mudança para a capital, sucesso, discografia e a morte prematura. “O objetivo é não deixar o mito Clara Nunes se perder. Queremos que a memória seja reativada, principalmente entre os mais jovens, que não a conheceram”, explica Adriana Andrade. O Centro Cultural está instalado no prédio em que funcionava o cinema, primeiro palco em que a cantora se apresentou, ainda criança. Outro avanço foi a retomada e o tombamento, pela prefeitura, da casa em que Clara Nunes nasceu, em frente do hospital municipal. Depois de reformado, o imóvel deverá abrigar um projeto de apoio às crianças. Mesmo quando estava no auge do sucesso, Clara nunca deixou de visitar a família e os conterrâneos. Sempre passava o Natal na casa de Mariquita e, no último deles, poucos meses antes da morte, revelou o desejo de abrir uma creche. “Ela tinha muita frustração por não ter tido filhos. Resolvemos fazer a creche para homenageá-la”, lembra a irmã mais velha. “Essa creche a irmã fez por vontade dela. A gente fica agradecida e tem muito orgulho por ela ter nascido aqui”, testemunha Raquel Mariz Inocente, que tem um filho de 5 anos na instituição. Fotos: Marcelo Sant'anna/EM/D.A press
A funcionária pública Miriam Aparecida Aguiar Bravo, de 40, conta que Clara era amiga de infância da mãe dela. “Eu era pequena, mas a gente ia vê-la. Lembro-me de que ela era muito vaidosa e carismática. Eu a via como uma pessoa importante e ficava impressionada”, lembra. O momento atual, de maior culto à memória de Clara Nunes, alegra a conterrânea, que diz guardar “ótimas recordações” das visitas da cantora à cidade: “Uma pessoa tão famosa, que recebia a gente com carinho”.
PSICOGRAFIA
Mariquita lamenta que a conscientização sobre a importância da irmã para Caetanópolis tenha demorado. “A cidade em que a gente nasce nos vê como uma pessoa comum. Precisou passar um tempo para que acordasse”, diz, reconhecendo que a situação está mudando. “O acervo não é meu. Se a cidade abraçar o projeto, ele vai pertencer a Caetanópolis”, anuncia a Dindinha de Clara Nunes. Nenhuma temporada de Clara Nunes terminava sem que Mariquita assistisse a pelo menos um show. No último, intitulado Clara Mestiça, no teatro que tinha o nome da cantora, ela ralhou com a irmã mais nova dizendo que estava com dó dela por causa do esforço, e que não era necessário “se matar” daquele jeito no palco. A reação foi vigorosa: “Não gostei quando você falou que estava com dó de mim porque eu estava suando muito. Ponha na sua cabeça que eu vim a este mundo para cantar”. Mariquita lembra da fala de Clara e também que ela cantava desde os 4 anos. Logo depois da morte de Clara, a irmã, que é espírita, procurou o médium Chico Xavier, que psicografou a seguinte mensagem: “A cigarra, às vezes, canta com tanta persistência em favor de Deus e da natureza que se perde das cordas que lhe coordenam a cantiga, caindo ao chão desencantada. E o meu coração da vida física não suportou a extensão das melodias que me faziam viver”.
A mensagem, conta Mariquita, foi muito gratificante e trouxe alívio. “Clara não cantava para ganhar dinheiro. Amou a música mais que tudo, como amou a vida.” É por isso que, no entendimento de Mariquita, sua missão com a irmã ainda não terminou. “Minha missão com ela vai mais longe ainda. Temos que fazer o memorial”, avisa.

Jornal Estado de Minas

16 dezembro 2008

Dvd

Chegou DVD Clara Nunes!
Que venham outros!!!
Clara em "À flor da pele"
Clara em "Como é grande e bonita a natureza"
Clara em "A Deusa dos Orixás"
Fotos imagens capturadas do DVD por: Dido Borges- PE

15 dezembro 2008

Matéria Jornal do Brasil -DVD Clara Nunes

"É impressionante como ela (Clara) não esmorece..."
DVD recupera especiais da cantora Clara Nunes para o 'Fantástico' Luiz Felipe Reis , Jornal do Brasil
RIO - Há 25 anos, Clara Nunes deixava órfã uma legião de fãs. Daqueles acostumados a pregar os olhos hipnotizados na tela da TV aos domingos, quando sua imagem rompia o Fantástico. Esperavam, ansiosos, o momento de apreciar a imponência de sua voz e o colorido de seus trajes e adornos. Se a música da mineira que abraçou o samba – e se tornou, ao lado de Beth Carvalho, baluarte do gênero mais popular do país – permanece intacta, a imagem de musa-guerreira andava meio apagada. Tão forte quanto suas canções, seus vídeos agora são redescobertos com o lançamento do DVD Clara Nunes – Os musicais do Fantástico das décadas de 70/80, o primeiro registro audiovisual de toda a sua carreira – nas lojas a partir desta semana. Nele são reunidas 21 gravações especiais realizadas para o programa de maior audiência da TV Globo, incluindo canções de sucesso como Conto de areia (Romildo e Toninho), O mar serenou (Candeia), Guerreira (Paulo César Pinheiro e João Nogueira), Na linha do mar (Paulinho da Viola) e Nação (Aldir Blanc, Paulo Emílio e João Bosco). Reza a lenda que, quando a emissora precisava de bons índices de audiência, era a Clara a quem costumavam recorrer. Sobretudo na década de 70, período em que as adversidades dos anos de chumbo da ditadura militar impeliam e desafiavam emissoras a encontrarem novos rumos para a programação. Clara encabeçava o ranking de artistas na predileção dos diretores da grande mídia. Era convocada para amenizar a noite e aliviar a dor em horário nobre. Assumia, assim, o posto de estrela de TV. – Foi a recordista de gravações para o Fantástico. Além do seu enorme talento, era uma mulher linda, de personalidade teatral e acessível. Era humilde e topava qualquer viagem, por isso todos os diretores ficavam loucos para gravar com ela – recorda José Itamar de Freitas, ex-diretor geral do Fantástico, que passou 14 anos à frente dos quadros de reportagem, humor e shows. – Numa época em que ficávamos a mercê dos censores, ela levantava o astral da população. Linda e sexy, tornou-se cada vez mais querida pelo grande público. Inicialmente previsto para ser lançado em abril, mês de aniversário da sua morte, o DVD – que vem acompanhado de textos do biógrafo da cantora, o jornalista Vagner Fernandes, editor do JB Online – conta a história de Clara de 1974 a 1983, cobrindo nove de seus 16 álbuns lançados.
Por tabela, documenta também parte dos caminhos traçados pelo vídeoclipe no país. A cada canção, evolui a artista, a captação das imagens, a mudança das cores, trajes e concepções estéticas. Uma viagem no tempo. Com áudio remasterizado e recuperado de algumas falhas, o DVD se pretende um apanhado histórico do progresso da meteórica carreira da artista, que se recusa a desaparecer do imaginário de seus fidelíssimos fãs.
– É impressionante como ela não esmorece – constata o coordenador geral do projeto, Luiz Garcia, que estima vendas em torno de 30 mil cópias.
– Seu mito ganha força e brilho, pois conta com um fã clube ativo até hoje. Valeu penar durante um ano inteiro em busca de autorizações e recuperar artesanalmente os arquivos de vídeo.
Nascida em 1942, numa família de classe operária na cidade mineira de Cedro (atual Caetanópolis), Clara Francisca Gonçalves se tornou a jovem Clara Nunes após chegar ao Rio, orfã de pai e mãe. Tentou diversos caminhos profissionais, de cantora de boleros a investidas jovem-guardistas. Atuou como crooner em Belo Horizonte. Mas foi com a ajuda do radialista Adelzon Alves e do compositor Ataulfo Alves que vislumbrou uma brecha: desde Carmem Miranda não havia outra cantora que evocasse uma africanidade tão marcante. Surge a sambista ligada ao candomblé e a diversas outras crenças, que se consagra como respeitada intérprete da MPB. Dona de voz, figurinos e coreografias marcantes que sedimentam a estética afro-brasileira na televisão. – Aos olhos de hoje, trazer toda a mística do espiritismo, da umbanda e do candomblé como fator de audiência é impensável, por conta da força de outras crenças. Quando a Globo queria elevar o Ibope trazia Clara à frente da tela – confirma Garcia. Sincretismo religioso em forma de artista, a filha de Angola, Keto e Nagô, que não era de brincadeira e nem temia quebrantos por ser guerreira, teve sua trajetória interrompida prematuramente aos 40 anos, em 1983, após um choque anafilático ocorrido durante uma cirurgia de varizes. Fatalidade que impediu a evolução da parceria musical entre a cantora e o compositor João Bosco, artista mineiros e que tinham muitas histórias em comum:
– Nos conhecemos e nos tornamos próximos musicalmente no fim da década de 70. Nação foi a primeira e a única de uma série de canções que planejávamos gravar – recorda Bosco. – O que me entristece demais é que nos descobrimos tarde. Todo início de relação é intenso e a nossa parceria compositor/intérprete foi interrompida brutalmente. Fico feliz em ver que essa música se tornou um dos seus maiores sucessos e serviu como título do seu último trabalho.

Clara alimentava uma ligação forte com as esperanças populares. Estava envolvida com o samba dos morros cariocas e com as crenças dos seus habitantes. Exercia um poder de magia que se alinhava às expectativas da época. Seu poder de comunicação a transformou em mito.
– Observo em jovens intérpretes a influência de Clara. E, entre elas, percebo a dimensão do seu mito, pois as ouço conversando sobre seus discos Até hoje não surgiu alguém que pudesse preencher esta lacuna. O que atrai a curiosidade e gera a vontade de estabelecer contato com a sua linhagem – acredita Bosco.

11 dezembro 2008

Enfim, o DVD Clara Nunes!

Os milhares e saudosos fãs de Clara Nunes já podem comemorar:
está chegando às lojas semana que vem o primeiro DVD de uma das cantoras mais carismáticas da MPB.

Terminados os processos de recuperação de áudio e video, o precioso material pertencente aos arquivos do Programa Fantástico, da TV Globo (Globo Marcas), ganham vida nova nesse DVD, que já chega ao mercado como item de colecionador. Por cerca de dez anos, as noites de domingo da TV Globo ganhavam um colorido especial quando Clara Nunes surgia luminosa no Fantástico. Clara encabeçava o ranking de artistas na predileção da grande mídia. Era convocada para amenizar a noite e aliviar a dor em uma missão de incomensurável beleza. Em dia e horário nobres, Clara ratificava o posto de estrela em cada aparição.. No DVD estão reunidos os principais videoclipes que Clara Nunes fez para o Fantástico; registros singulares da curta, porém prodigiosa carreira da cantora, que morreu há 25 anos.
Sucessos como "Canto de areia", "Portela na Avenida", "O Mar Serenou", "Macunaíma", "Nação" e "Guerreira" fazem parte da seleção de clipes, feitos num período em que não havia efeitos especiais ou recursos tecnológicos. Ainda assim, ela conseguia saltar da tela da TV e preencher as salas de estar dos milhões de admiradores que a assistiam...
Clara Nunes está de volta nesse DVD, linda e radiante, com suas inúmeras pulseiras de prata, patuás e vestidos brancos. A tal mineira, que batia no peito e enfatizava não temer quebrantos porque era guerreira, ressurge com lanças em punho, provando ainda ser vitoriosa nas batalhas do cotidiano, pois que seu legado permanece, ainda hoje, absolutamente atemporal.

05 dezembro 2008

25 anos...

O ano de 2008 lembra os 25 anos que Clara Nunes saiu de cena!
No entanto as homenagens foram poucas.
A EMI, gravadora onde Clara deixou uma obra
de 16 discos, ainda não disponibilizou no mercado toda
a coleção como anunciado no início do ano.
Portanto, houve dois lançamentos de cds, um da EMI (Clara Nunes-Sempre)
e pela Biscoito Fino, o cd "Poeta,moça,violão" do show homônimo gravado em Salvador com Vinícius de Moraes e Toquinho.
O especial da Globo "Por toda a minha vida" não chegou ir ao ar,
pelo menos neste ano.
A notícia boa , ao que tudo indica, é que haverá sim o lançamento
do primeiro DVD com imagens de clipes do Fantástico a ser lançado
ainda neste mês de dezembro.
Vamos aguardar!

03 dezembro 2008

Dia Nacional do Samba

2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba
Sabe por que o Dia Nacional do Samba cai em dois de dezembro? Não, não é a data de nascimento de Tia Ciata. Também não é quando gravaram "Pelo Telefone". Muito menos quando Ismael Silva e os bambas do Estácio fundaram a Deixa Falar. O Dia Nacional do Samba surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Ary já tinha composto seu sucesso "Na Baixa do Sapateiro", mas nunca havia posto os pés na Bahia. Esta foi a data que ele visitou Salvador pela primeira vez. Engraçado, não? A festa foi se espalhando pelo Brasil e virou uma comemoração nacional.
Fonte:www.samba-choro.com.br

24 novembro 2008

Troféu

Eis o Troféu Clara Nunes da cidade
de Osasco-SP para o Carnaval 2009.
Este,acima, saiu para a Escola Pavão de Osasco,
prêmio de revelação para o intérprete Leonardo Moreira.

22 novembro 2008

CD Clara Nunes:Sempre!

Clara Nunes: cantora com alma Para Sempre, Clara Nunes (Som Livre)
Cantora mineira que morreu em 2 de abril de 1983, por causa de complicações numa cirurgia para retirada de varizes, Clara Nunes pertencia a uma classe rara de intérpretes brasileiras. Cantava com a alma um repertório que ia do samba-canção ao afoxé – sem nunca fazer pose de diva como as atuais cantoras "ecléticas". A compilação Para Sempre dá apenas um gostinho do enorme talento de Clara. Faltam, por exemplo, as canções de Nelson Cavaquinho, compositor cujo repertório se destacou na carreira da artista. Em compensação, estão ali sucessos radiofônicos como O Mar Serenou e Morena de Angola. Como a EMI, companhia pela qual Clara Nunes lançou todos os seus discos, não se dignou a recolocar seus álbuns em catálogo, essa compilação vem a calhar. (Revista Veja)

13 novembro 2008

Caricatura

O Blog recebeu esta bela caricatura de Clara Nunes feita pelo
paulista Orlando Alves,artista que aceita encomenda pelo e-mail: orlandocartoon@yahoo.com.br.

12 novembro 2008

Crônica

Clementina de Jesus, Hermínio Bello de Carvalho,
Clara Nunes e Paulinho da Viola.
Foto: Editora Edições de Ouro-Google book
Crônica de 2001 no site do acervo Hermínio Bello de Carvalho
Clara Nunes

Início de carreira, Clara começava a despontar. Musicalíssima, voz extremamente bonita, confessava que seu modelo artístico era o da Divina Elizeth, que, muitos anos depois, seria madrinha de sua união matrimonial com o maravilhoso letrista Paulo César Pinheiro. Estávamos todos hospedados no Normandie de São Paulo, hotel cativado pela TV Record para os artistas de fora. Vou para o apartamento de Linda Batista, peço a Aracy de Almeida que me apanhe lá (Denner viria pegar-nos para uma esbórnia noturna pela Paulicéia) e o encontro das velhas colegas de rádio deságua numa cantação de sucessos, Araca lembrando tangos antológicos – dá para imaginar? – e Linda embarcando de Lupicínio.
Isso me anima a chamar Clarinha: “Clara, vem pra cá!” Os uísques desciam fartos, tanto quanto as lágrimas que eu e Clarinha derramávamos de emoção, até que avisam que Denner já nos esperava à porta do hotel em seu suntuoso Cadillac. Convido Clara para nos acompanhar (Linda tinha outros compromissos). Clarinha, claro, não era de dizer não a essas esbórnias, e além do mais estávamos todos triscados.
E lá foi ela retocar maquiagem, ajeitar os cabelos (que eram fartos, farfalhantes, maravilhosos), uma cabeça espaventosa, enfim. Araca, ciumenta e exclusivista, demonstrou que lhe desagradara o convite, feito à sua revelia. Quando Clarinha finalmente chegou ao carro, Araca destilou seu veneno mais letal:

– Clarinha, meu amor, você está linda assim. Mas não dá pra arriar um pouco essa capota e jogar fora essa peruquinha cafona? A reação de Clara (ainda desacostumada a dizer palavrão) foi inusitada: – Aracy, vai tomar... vai tomar... vai tomar... no seu botão! E, claro, incontinenti, voltou pro hotel. Dona da situação, Araca ordena: – Eu adoro a Clarinha. Vamos embora, Bello Hermínio?
Acervo online de Hermínio Bello de Carvalho

07 novembro 2008

Troféu Imprensa

Fotos, fonte: mercadolivre.com
Clara Nunes recebendo Troféu Imprensa de 1976 no Programa
Silvio Santos, na época Tv Globo. Durante os anos 70 Clara foi recordista
também do Troféu Imprensa: foi consagrada melhor cantora
nos anos 1974 - 1975 -1976 .

"Eu acho que todo troféu é muito importante na vida de um artista,
não só do artista como todas as pessoas".(Clara )